Porque nos mantemos em relações que não nos fazem bem?

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Questões de autoestima, culpa e merecimento podem estar na origem. Quem tem pouca autoestima, pode manter-se em relações que não são boas porque também acha, mesmo que a um nível inconsciente, que não merece melhor, que não é possível ter melhor, que ninguém irá gostar de si e que o melhor é ficar como está. Poderá também achar que as relações são todas assim, seja por experiência prévia com outros relacionamentos, ou porque o que vê, observa ou ouve falar na família, amigos ou colegas é algo do género.

O merecimento é outro tema recorrente. Seja porque se fez coisas “más” no passado, ou coisas de que se envergonha, pode sentir que não merece uma relação boa e feliz, como que se tivesse de se castigar mantendo-se em algo menos bom. Aqui entram em jogo factores psicológicos relacionados com o dar e receber, no sentido em que se fiz algo de menos bom, devo receber um castigo ou uma punição por isso. Normalmente isto acontece porque teve uma fase em que se envolveu sexualmente com vários parceiros, por exemplo, ou uma fase em que usou ou abusou de drogas, não tendo controlo sobre os seus comportamentos e julgando-se por isso.

O merecimento também pode ter a ver com a auto imagem corporal, sim, porque uma coisa é a sua imagem corporal, outra coisa é a auto imagem, ou a imagem que faz de si e do seu corpo. Podem ser completamente distintas uma da outra, o corpo e a percepção que faz desse mesmo corpo. Estas duas estão relacionadas, autoestima e merecimento. “Como não sou bonita ou como não tenho um corpo escultural, não posso ser feliz num relacionamento. Ninguém vai gostar de mim”. É fácil perceber aqui que estas mulheres, ou homens com pensamentos semelhantes, se julguem insuficientes para um relacionamento feliz. Aqui poderá ser mais fácil aceitar determinados abusos.

A culpa é um tema complexo por vezes difícil de destrinçar. Da pena nasce a culpa. Pena de deixar um ou uma companheira, principalmente se houver filhos ou o companheiro não quiser a separação. Quantas mulheres atendo que se sentem culpadas por deixar o companheiro, como se esse homem fosse inválido sem elas (sem uma mulher). Mesmo que eles o possam fazer parecer, estamos a falar de adultos. Ninguém morre por ser deixado, só bebés ou idosos doentes que sejam indefesos. Há pessoas que instigam a culpa no companheiro ou companheira, com queixumes ou ameaças, ou chorando e pedido por favor para que a outra pessoa não se afaste.

Os seus limites são os seus limites. Não quer, não gosta, não tem de ficar numa relação só porque a outra pessoa ficará desconfortável, descontente ou triste se resolver terminar essa relação. A sua responsabilidade não e cuidar desse adulto. Cada um só pode ser responsável por si e por quem decidir ser responsável. Até pode querer manter-se numa relação para poder cuidar da outra pessoa, se for essa a sua vontade. O que faz consigo, com o seu tempo e com a sua vontade, só a si lhe diz respeito.

A culpa também pode ser induzida devido ao medo da exclusão social, da crítica de amigos e familiares, do estigma social relacionado à separação. “O que vão dizer de mim se deixar a minha mulher com crianças pequenas…”, “O que irão dizer os meus filhos mais tarde, que os deixei, que os abandonei a eles e à mãe…”. O medo da desaprovação social rege muitos dos nossos comportamentos, por vezes. E na culpa as pessoas se podem ir mantendo em relações infelizes.

As boas notícias são que, a qualquer momento, pode trabalhar esses temas e essas dificuldades. Muitas das vezes, partem apenas de crenças obsoletas ou inconscientes que podem ser vistas e reconfiguradas. Não há crença nem emoção que não possa ser revista. Tudo o que o ou a limita tem como deixar de limitar. Ainda que a medo, e até com algum sentimento de culpa, pode sempre tomar as decisões que são importantes para si. O resto, o tempo, e alguma terapia se for preciso, cuida e trata de suavizar.

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