Parar e ficar naquilo que é

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É difícil ficarmos parados, por vezes. Temos dificuldade em parar, como se ao acordarmos, reiniciamos a actividade e ela não pode parar. “Parar é morrer”, diz a mente. Não gostamos de sentir determinadas coisas, no fundo, todas as que nos ameaçam. Emoções menos positivas, como medo, ansiedade, insegurança estão lá quase sempre connosco, a sensação de falta de segurança é o que essas emoções nos fazem sentir.

Todos nós temos medo, e com o medo vem o evitamento. Não gostamos de sentir determinadas coisas, então evitamo-las. Para evitar essas sensações, não podemos estar parados – que é quando elas se manifestam – então movemo-nos, andamos e corremos para todo o lado. Até quando acordamos a meio da noite e não conseguimos voltar a dormir.  Até aí temos dificuldade em ficar naquilo que é, que é basicamente constatar o que se passa e não se envolver na enchurrada de pensamentos que vem daí.

Quem não consegue adormecer novamente a seguir a despertar passadas poucas horas de estar a dormir, normalmente deixa-se envolver na activação da mente. Depois de “reiniciada”, de facto funciona a toda a velocidade e com toda a intensidade de produção de pensamentos, preocupações, desejos e fantasias. É difícil controlar isso, uma vez que ninguém nos ensinou como fazê-lo, ou que sequer era possível fazê-lo.

Ficar naquilo que é requer persistência e paciência. Nós temos uma tendência a evitar tudo o que dá trabalho, e educar a nossa mente dá trabalho. Ficar naquilo que é é poder parar e simplesmente estar, simplesmente sentir o que há para sentir. O nosso corpo, seja ele físico ou emocional, tem sempre algo a dizer-nos. Fomos habituados e educados e sobrevalorizar o que se passa na mente. Simplesmente não conseguimos parar de a ouvir, ela é como uma fábrica de pensamentos que trabalha constantemente. Ao dormir, ao ao anestesiá-la com actividades, trabalho, socialização ou substâncias como o alcóol, podemos distraí-la. Basta estarmos sozinhos que o tormento começa.

Mas não precisamos estar no tormento. A mente é muito acusatória e crítica, mesmo contra nós. Educá-la e discipliná-la faz-se necessário, mas temos de sentar com ela, falar com ela com benevolência e gentileza, contudo, com segurança e firmeza. Ela é como uma criança por vezes, e como um idoso acomodado noutras. Precisamos tomar conta dessas partes, ouvi-las um momento, mas falarmos nós – a voz da consciência e do adulto sábio – quando for a altura, para que tudo o resto possa ficar apaziguado.

 

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