A via do não sofrimento

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Há quem diga que a dor é inevitável e o sofrimento opcional. Pode parecer estranha esta ideia ao início, “Como assim?? O sofrimento é opcional??”. Sim, podemos ficar na dor ou não. Não basta decidir não sofrer, mas há mudanças em nós que podemos fazer para conseguir que isso aconteça: não ficar preso à dor e ao sofrimento.

O sofrimento é o arrastar da dor, de emoções como tristeza, sensação de perda, angústia, revolta, culpa, ou os famosos “porquês”. Não há força mais nefasta para a dor do que os porquês. Ficando nos porquês, ficamos na agonia, na angústia, na raiva, no não saber e querer atribuir explicações lógicas para algo que não tem solução. Sim, há relações que chegam ao fim, há traição, há perda, há rejeição, há doença e morte. Nada podemos com algo que é superior ou ulterior a nós.

Nada podemos com os desígnios das decisões dos outros, os desígnios da morte, da perda, da doença, da injustiça, etc. Há muitas coisas que somos nós mesmos que semeamos, e mais tarde, ou mesmo ao longo do tempo, vamos colher os frutos disso: o ficar eternamente no medo, nos porquês, nos “não consigo/não é para mim/não sou suficiente/não sou merecedor”, etc. Isso é algo que podemos mudar. Não, não é fácil nem instantâneo. Requer trabalho, persistência, consciência e decisão – decidir mudar o que está no caminho da felicidade e da paz que tanto quer alcançar, e dar os passos necessários nesse sentido. Requer planificação/preparação e acção.

Ninguém consegue alcançar determinado resultado se ficar em casa a reclamar e a achar que só os outros conseguem. Há que adoptar uma atitude de proactividade, de abertura e flexibilidade perante a vida e perante a mudança. Igualmente, perante a dificuldade da mudança e as próprias resistências. Mas eu digo-vos, vale muito a pena fazer esse processo terapêutico de auto desenvolvimento e de crescimento pessoal. Sair do sofrimento, não permitir que ele seja o seu calvário, o seu algoz. Deixar de ser refém do “vitimismo” (“Coitado de mim, sou tão miserável/infeliz/incapaz/inseguro”, etc.) e assumir o controlo da sua vida.

Faz-se com tempo, com calma, com paciência, e com muito mas muito diálogo interior. O diálogo das partes, como lhe chamo. Falar meigamente com as suas partes feridas, infantis, e que duvidam. Dar-se palavras de força e de alento, comandos firmes de “Tu podes, tu consegues, tu és capaz. Custa mas é possível, vamos a isso”. E assim, só assim, com muito esforço, movemos montanhas e introduzimos a mudança nas nossas vidas. Tal como um mecanismo antigo e pesado ao qual damos nova vida, velocidade e ritmo. Custa ao princípio, mas em engrenando, a coisa vai.

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