Culpa pela felicidade

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Quantos antes de nós sofreram? Quantos antes de nós foram infelizes? Na vida, no amor, nos negócios… Quantos antes de nós foram mal sucedidos, tiveram pouco, não prosperaram? Quantos antes de nós não puderam ter mais, tendo só o mínimo, acreditando que não era possível mais, da vida, do amor, do trabalho?

De quantas crenças se compõe um legado, uma família, um clã? Nós herdamos tudo isso. Características e predisposições genéticas, configurações mentais e emocionais, herdamos inclusivamente um sistema de crenças e um sistema de expectativas. Expectativas sobre o amor, o futuro, o dinheiro e o trabalho. Ouvimos histórias, ouvimos pessoas convencidas que essa é a verdade sobre a vida, mas essa é a sua verdade, a da pessoa que conta a história e que atribui significados às coisas que viveu, que observou, que ouviu, e fez as suas próprias conclusões e leis.

Quantos de nós somos afectados por essas histórias que ouvimos a vida inteira?

“Não é possível ser-se feliz no amor”, ” Os homens não são de confiança”, “Não podemos ter muito, só o suficiente”, “Temos de ser humildes e subservientes, fazer o que esperam de nós”, “É mau ser ambicioso, desejar ter mais ou ter muito”, “É difícil vingar na vida, dá muito trabalho, é muito difícil conseguir”, “Não podemos sonhar muito, devemos seguir os passos dos outros. Isso é o que está certo”, “Não é bom ser diferente, ir contra o que nos dizem”, “Não é bom querer mais, não é seguro fazer diferente”, etc.

Quantos de nós, tendo a possibilidade de realização pessoal e profissional, viajar, levar uma vida leve e tranquila, desafogada, ter um relacionamento feliz, vendo todos os outros à nossa volta tão insatisfeitos, revoltados, frustrados, infelizes, não realizados, não nos sentimos culpados? A maioria sempre aponta o dedo às minorias, aos que fazem diferente, aos que vivem diferente. Os que vivem diferente, são um exemplo mas também uma ameaça. “É preferível submetermo-nos às regras do grupo senão seremos penalizados/excluídos/segregados/criticados”, é o que aprendemos.

Por isso, quando alguém contesta esses sistemas de crenças, modos de vida, de pensamento e funcionamento, por um lado inspira outros, por outro é criticado. E isso induz a culpa, incerteza e insegurança: “Estarei a fazer a coisa certa?”. Sim, é certo se lhe fizer sentido, se lhe fizer feliz, se não prejudicar ninguém. O que outros sentem, de desagrado, critica, julgamento, só lhes cabe a eles processar. Se segue a sua consciência, os seus instintos, e o/a leva a uma vida mais realizada e feliz, vá em frente. A sua vida só a si lhe diz respeito.

Sim outros foram infelizes antes de nós, e temos lealdades e pactos inconscientes de identificação com os que vieram antes, mas podemos rompê-los. Outros vieram antes para que possamos fazer diferente. Podemos tomar a vida que nos foi dada, e fazer com isso o melhor que podemos. Não estamos a desrespeitar ninguém. Agradecemos o que veio antes, quem veio antes, e tudo o que quem veio antes não conseguiu. Honramos a vida que nos foi dada por isso mesmo: fazendo tudo aquilo que não foi possível antes. E assim está certo.

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