Culpa, pena e empatia

person-1821413_1920

Ainda hoje escrevia sobre isto numa publicação do Instagram, mas como não havia espaço, não escrevi tudo. E escrevia eu sobre empatia e em como a empatia nos pode manter presos em processos de pena e de culpa relativamente a outra pessoa. Tenho acompanhado e falado com pessoas com pena dos ex-maridos, ex-namorados ou actuais companheiros ou maridos, ou mesmo homens que ficam com as suas companheiras por sentimento de culpa, principalmente quando há filhos.

Pena e culpa porque a outra pessoa não aceita ou não aceitou a separação, pena porque “O que será dele/dela se eu me separar? Como sobreviverá? Será que tentará suicídio? Para onde irá viver? Será que me vai odiar e sentir raiva de mim? Não tolerarei sentir que magoei alguém…”. Então, muitas vezes para evitar sentir que prejudicou alguém, para continuar a ser o/a “bonzinho/a” que não faz mal a alguém, mantém-se como mártir, suportando uma relação que já não quer, pensando que está a ser altruísta, generoso/a, bondoso/a.

Ao manter-se numa relação que já não quer, também evita a exclusão, a crítica e a desaprovação social. Separações sempre foram condenadas, principalmente quando há filhos. Familiares que reprovam a separação, vizinhos, a própria pessoa que se quer separar também pode desaprovar e até sempre ter criticado separações e divórcios, como tal muitos mais são os motivos para não se separar do que para se separar. “Quero ser feliz, seguir com a minha vida” não parece suficiente, parece que se fica no vazio, no desconhecido, no não saber o que vai acontecer.

A empatia é quando as pessoas se mantém em relacionamentos tóxicos, ou que já terminaram há muito tempo, relacionamentos que já cumpriram o seu propósito e já não trazem satisfação a nenhum dos elementos do casal, basicamente. Empatia quando compreendo o sofrimento do outro e o justifico e me mantenho por isso, porque “Coitado/a, passou por muito, anda com problemas no trabalho, sofreu muito na infância, perdeu os pais, …” etc.

Empatia, pena e culpa. Culpa por deixar, culpa por seguir em frente quando o outro fica em sofrimento. Então estabelecemos pactos secretos de lealdade perante estas pessoas com quem assumimos um compromisso, ainda mais se jurámos amar, proteger e estimar perante a igreja, perante família, perante amigos e perante Deus. A instituição casamento, afinal, tem muita força. Mesmo que não meta igreja, comprometemo-nos com outro alguém, e sempre nos ensinaram que devemos honrar os nossos compromissos custe o que custar. Daí a culpa de partir, de seguir em frente.

O que é certo é que todos estes processos custam, é difícil e requer uma grande força de vontade e persistência de seguir ainda que tudo esteja contra, ouvindo aquilo que é a sua vontade, a sua intuição e a sua verdade. Não quer desapontar ninguém, e isso compreende-se. Mas não consegue viver a sua vida sem desapontar ninguém. Alguém vai ter sempre expectativas sobre si, e se tiver de corresponder sempre a essas expectativas, ainda que não seja a sua vontade, das duas uma: ou desilude ou ficará para sempre refém dessa pessoa. Você decide.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s