Pirâmide das necessidades

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Vivemos numa era de realização pessoal. Só viver por viver, com as necessidades humanas básicas satisfeitas, já não nos preenche. Estes novos tempos podemos viver precariamente, sem contratos de trabalho, com rendimentos muito baixos face às actuais rendas, com trabalhos que já não são certos nem “para a vida”, e muitas vezes, trabalhando em locais onde a nossa qualificação é bem superior ao posto, mas, acima de tudo, o que se procura é a auto realização e a satisfação pessoal face ao trabalho.

Queremos, essencialmente, trabalhar por gosto, por gozo, por afinidade, por satisfação e por termos o perfil certo para determinado trabalho. Encaixarmos por encaixar também não serve, há que ser compatível connosco, a relação, o trabalho, a casa e as amizades. Não fazemos as coisas por fazer, não estamos por estar, não queremos já fazer porque nos dizem que é o correcto, porque é o que tem de ser feito. O determinismo não encaixa já na nossa forma de ver a vida e as nossas necessidades. Questionamo-nos: “No que é que realmente sou bom? No que é que teria mesmo prazer em trabalhar? Por quanto tempo o quero fazer?”

Portanto, geracionalmente, temos subido na pirâmide das necessidades. Desde o tempo dos nossos antepassados, que tinham de se sujeitar a condições miseráveis, salários parcos, parcas condições, e não se podia reclamar, tinha de se sujeitar à autoridade vigente, passámos à geração que reclama, que é reivindicativa, que quer mais, que exige mais. Ainda existe muito em nós, ou em muitos de nós, do padrão de escassez e de humildade dos nossos antepassados, em que não se podia ter muito, não se podia ser muito ambicioso, etc. Contudo, estamos a despertar desse transe e a fazer diferente. Pelo menos, pensar diferente e ganhar consciência que as faltas dos nossos antepassados não têm de ser as nossas.

Nunca vivemos numa sociedade com tanta formação, licenciados e graus de mestre. Nunca tivémos tanto trabalho especializado e tantos serviços. Com tanta escolha e tantas possibilidades, podemos dar-nos ao luxo de escolhermos o que queremos ser, e normalmente a grande parte dos pais, consegue ajudar os filhos a tirar um curso superior, o que lhes garante, à partida, maiores oportunidades de emprego, com ordenados superiores. Isso pode nem sempre verificar-se, mas falamos aqui em “oportunidade”. Lá está, há que lutar por um posto melhor e melhores rendimentos.

Como tal, no meio desta evolução da sociedade, também vivemos tempos em que estamos mais disponíveis para trabalhar em nós e no que queremos ser: trabalhar na autoestima, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Nunca nos questionámos tanto e nunca houve tanta oferta de terapias e centros de terapias como agora. Nunca se falou tanto da parentalidade, da psicologia, criatividade e empreendedorismo. Existe uma evolução social do ser humano e dos seus processos psicológicos e de desenvolvimento. A pirâmide está a ser escalada até ao topo. Estamos a escalar etapas, a ganhar patamares.

Mas, e quando chegarmos ao topo? O que falta? Talvez manter, ou arranjar novos objectivos. Para o ser humano não há fim. Tudo são ciclos, e passaremos pelos vários patamares talvez até várias vezes na nossa existência, às vezes retrocedendo, outras vezes avançando. Como no artigo anterior, o equilíbrio é fluído, não é estático. E entre estes patamares vamos vivendo, sempre tentando chegar, e manter, o topo.

O equilíbrio não é um estado

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Sim, o equilíbrio não é estático. Não é um patamar que atingimos e pronto, ficamos lá. O equilíbrio é fluído, é um movimento. Por vezes, de fora para dentro, mas normalmente é de dentro para fora. O que quero dizer com isto? Por vezes o nosso ambiente externo, as nossas relações e o nosso trabalho estão estáveis, estão relativamente bem, sem problemas de maior, mas nós podemos não nos sentir bem interiormente e sentirmos que não estamos a usufruir das nossas condições de vida actuais, ou, pelo contrário, por tudo estar bem fora de nós, temos até mais facilidade em também estar bem.

A coisa complica quando fora está desorganizado, lento, estagnado, quando há falta de algo, ou quando algo está em excesso: há discussões, mudanças, obras em casa, processos no tribunal, desemprego, doença, falta de pagamento no trabalho. Ou seja, as nossas condições externas afectam o nosso equilíbrio. E isto está certo, é normal uma separação, morte ou doença de alguém querido ou próximo, por exemplo, nos afectar e nos tirar do “equilíbrio”. Mas esses acontecimentos são inevitáveis, vamos sempre ter de atravessar fases mais difíceis na nossa vida, mais cedo ou mais tarde, e essas fases, por melhor que estejamos nessa altura, vão sempre perturbar o nosso equilíbrio.

No exemplo que estava a dar há pouco, de tudo estar bem nas nossas vidas e mesmo assim não nos sentirmos bem, já é algo que internamente está fora de equilíbrio e precisa ser visto. Que emoções tem contido ou evitado? Que algo não está a ser visto e reconhecido? Que posicionamento não tem tomado ou tem tomado em excesso? Há sempre motivos, por vezes ocultos e inconscientes, que causam a falta de equilíbrio. Mais fáceis de identificar são as causas externas, as internas precisamos buscar, compreender e cuidar, e é aí que um trabalho terapêutico pode entrar.

Todos nós temos os nossos altos e baixos e fases boas e menos boas. Agora, quando uma fase menos boa se prolonga, com angústia, sofrimento, dilemas, questões, dúvidas, incertezas, etc., aí sim, é bom poder procurar ajuda indicada e fazer algo a respeito, cuidar do interior e das suas emoções. Mesmo quando algo de fora, ou externo, está fora de alinhamento, está caótico, ameaçador ou desafiante, também nos cabe a nós procurar ajuda se não temos as competências ou ferramentas necessárias para lidar com isso. E sim, tudo mexe connosco, o que está fora e o que está dentro. Então, como manter o equilíbrio?

Vamos mantendo, saindo dele e voltando a ele as vezes que forem necessárias. Então não podemos conceber o equilíbrio como algo estático mas sim fluido. O equilíbrio, na minha perspectiva, é um movimento. Como dizia em cima, por vezes de dentro para fora, outras vezes de dentro para fora. Ou tudo está bem fora e por isso nos sentimos bem, ou podemos sentir-nos bem mesmo quando tudo lá fora parece um caos. E sim, isso é possível. Quando praticamos atenção plena ao momento, vivemos um dia de cada vez, cuidamos das nossas emoções e arrumamos e organizamos os nossos pensamentos continuamente, conseguimos fazer isto.

É como limpar a casa semanalmente, mudar os lençóis ao fim de semana, lavar a cara todos os dias, tomar o pequeno almoço antes de sair de casa – é um hábito, é um hábito que podemos adoptar. Há quem corra todos os dias, ou vá ao ginásio três vezes por semana, faça uma caminhada aos domingos, faça yoga ou meditação diariamente. Há quem pinte, desenhe, faça mandalas, vá passear o cão ou escreva um diário. Há quem faça terapia semanalmente ou quinzenalmente, faça reiki regularmente. Cada um encontra a sua fórmula. Se está difícil encontra esse equilíbrio, sim, faça terapia e encontre actividades que possam ajudar a mantê-lo e a criá-lo novamente sempre que seja necessário. Tudo é um processo, tudo é movimento. Nada é estático, na verdade.

A Responsabilidade

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Custa não é? Pesa, esta coisa da responsabilidade. Responsabilidade é crescer, é amadurecer, é não poder voltar atrás, enfiar-nos em um buraco escuro e nada fazer, dormir para o resto da vida, ser pequenos e crianças a vida inteira. Ser responsável é dar a cara, é ser adulto, é assumir as consequências do próprio comportamento, é poder contar só consigo para resolver as coisas, para seguir em frente, para processar as suas emoções, para fazer diferente, para gerir a sua vida, as suas finanças e os seus assuntos.

A responsabilidade assume uns contornos dolorosos quando olhamos para ela como se fosse uma montanha, como se fosse um fardo, uma imposição ou uma cruz. Há quem diga: “Ser responsável é ser chato”. Ficámos com esta ideia desde crianças, que ser adulto é chato, é uma “seca”, porque quando nos diziam que tínhamos de ser responsáveis significava sempre termos de fazer coisas que não nos apetecia fazer e, por nossa escolha, não seriam feitas de todo, ou não as faríamos naquela altura, e aí sim, a responsabilidade era uma imposição.

É, de facto, mais fácil, não ser responsável por nada nem por ninguém. Podermos culpar os outros pelo nosso insucesso ou fracasso. Culpar o que está fora, ou simplesmente não fazer nada para mudar, ou não fazer o que precisa de ser feito. Isso custa, aborrece, é frustrante. Mas é o que é necessário fazer, e ninguém pode fazê-lo por nós quando somos adultos. Na infância fazem grande parte das coisas por nós, à medida que vamos crescendo vamos tendo mais responsabilidades e tarefas, e a adolescência é exactamente a transição entre o que é suposto os pais fazerem e o que é suposto os adolescentes fazerem. E a mudança (a transição) custa a todos.

A responsabilidade é algo necessário de assumir, a sua força, a sua necessidade, a sua importância e a sua dificuldade até, por vezes. A importância que tem, apesar da dificuldade que possa ter. Pode ser algo que leve com leveza ou com peso. O que é certo é que quando somos capazes de assumir a responsabilidade pelo que somos e pelo que fazemos, podemos andar de cabeça erguida, sem medo. Aí somos resilientes. Quando não, quando as responsabilidades são maiores que as nossas capacidades de lhes darmos resposta, algo precisa ser feito: ou colapsamos, ou mudamos e aprendemos a dizer “não” e a pedir ajuda.

Os conflitos interiores e o medo da mudança

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Quem os não tem? Conflitos entre o ser espontâneo e o ser controlado, entre sentir que está a fazer o melhor que pode e ao mesmo tempo sentir que é uma fraude e incompetente, conflitos entre o entregar-se e render-se versus recolher-se e dizer não, conflito entre o querer e o não querer, entre o querer avançar e o querer ficar, entre o querer mudar e crescer e o ficar na mesma e não sair da zona de conforto, entre o ser destemido e rebelde e o ser contido e passivo… Entre outros. Certamente que já passou por alguns destes ou mesmo outros.

Há um movimento para fora, um movimento de expansão, que é assustador e ameaçador, porque apresenta riscos: risco de falhar, risco de errar, risco de perder – perder a segurança, o conforto, aprovação, outra pessoa, etc. E há o movimento contrário, o movimento de retraimento, que é ficar, manter, pausar, parar – que é seguro e estável. Entre estes dois movimentos vamos vivendo, sem excepção. Até porque, mesmo não querendo, vão haver momentos em que é obrigatório expandir, a vida vai pedir-nos isso em vários desafios.

Quando somos crianças, a expansão é maior, somos forçados a avançar, a seguir o que está pré-estabelecido, no caso da escola, dos testes, dos trabalhos, das actividades, etc. Somos forçados a sair de casa e enfrentar os nossos maiores medos: a desaprovação de pares ou professores, o receio de cair no ridículo, o gozo, a humilhação, o ir ao quadro, o ser exposto, amigos que traem a confiança e partilham segredos, etc. É um grande desafio ser criança e ser adolescente. Por isso eles gostam tanto de estar em casa e na segurança do seu quarto, onde ninguém lhes pode fazer mal. E ainda assim, com as redes sociais, a perseguição pode ser constante.

Quando somos adultos, há os desafios profissionais, no trabalho, com colegas, com superiores hierárquicos, com clientes e com a própria organização e dinâmica do local de trabalho. Também há os desafios relacionais, familiares e pessoais. As nossas próprias dúvidas, inseguranças e incertezas. O que em nós está a mais ou a menos. Aí sim, já podemos escolher fazer o mínimo e simplesmente comparecer e fazer o que é para ser feito, ou podemos superar-nos e tentar fazer o melhor e crescer por onde for possível: seja intelectualmente, seja progressão na carreira, seja dar o salto para fora e começar algo próprio.

Mesmo na família e nas nossas relações, podemos sempre seguir o roteiro e fazermos o que sempre fizemos, da forma que fazemos e sempre fizemos, ou podemos fazer diferente. E aí começa o conflito: devo fazer diferente? Se sim, o que me vai custar? O que vou precisar? Será que sou capaz? Será que vai correr bem? Entre outras questões. O conflito gera dúvida, gera indecisão, gera incerteza. Queremos fazer o melhor possível, com o mínimo de risco. O conflito implica tomar decisões, posicionarmo-nos, e ao fazer isso estamos, necessariamente, a colocar-nos em risco.

Muitas vezes, sabemos que fazendo diferente, e até já sabendo como fazer, seremos bem sucedidos, sabemos que é o melhor caminho possível, e que nos trará um desfecho positivo. Ainda assim tememos, porque é exactamente isso: fazer diferente e fazer diferente custa, estamos a dar a cara por algo que não sabemos se vamos conseguir manter – não sabemos se conseguimos manter a mudança. E de qualquer das formas, mudar custa, temos de desprender-nos de partes nossas que estão estáveis e seguras, e criar outras.

Neste processo de mutação, há partes nossas que ficam para trás, é verdade. E elas são partes queridas porque sempre estiveram connosco. Este é um processo de morte e renascimento, de reestruturação, e é aí que entra o medo e o custo daquilo que temos de pagar: a mudança em si. A mudança tem um preço, o preço do crescimento e do desconhecido. Mas quando avançamos para aí, temos mais a ganhar do que a perder. Se perdemos, era certamente algo que já não fazia falta e que nos travava. E o processo é esse mesmo: retraimento e expansão. Os dois são necessários. A aprendizagem é viver entre esses dois movimentos e saber quando accionar ou parar um ou outro.

Passos para ter sucesso no seu negócio

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Nunca se ouviu falar tanto em empreendedorismo. Cada vez mais pessoas tem negócios online ou mesmo presenciais, que são divulgados, necessariamente, através das redes sociais. Digo “necessariamente” porque vivemos na era digital. Difícil é haver um negócio que não dependa de ferramentas na web para florescer e para se manter.

Se não tem redes sociais, ou não usa no seu trabalho, e está a ter sucesso, óptimo! Caso tenha o seu negócio e esteja a fazer tudo bem no que respeita a regras do marketing digital, como seguir determinados passos, publicar a determinadas horas, ter imagem X ou Y, criar o seu próprio conteúdo, publicar regularmente, etc., e mesmo assim isso parece não chegar, aqui vão umas dicas:

1. Responder às perguntas: porquê e para quem?

Qual o seu negócio? Qual a sua missão com o seu negócio? O que pretende atingir? Quais os motivos para desenvolver esse negócio? O que pretende com ele? Onde quer chegar? Quais as vantagens desse negócio, para si e para outros? Como pode impactar as pessoas? Que pessoas visa atingir? Quem será o seu púbico? E só depois vem o “como”: Como posso implementar o meu negócio? De que forma? Por onde começo? A quem posso pedir ajuda?

Respondendo a estas questões pode, mais facilmente, ter uma ideia global do “quê” (tipo de negócio), “como” (como implementar) e para quem (público alvo).

2. Trabalhar as resistências: o perfeccionismo, o medo e a crítica interna

Não há quem as tenha, dúvidas, inseguranças, incertezas e medo… É fundamental olhar de frente para o que custa e para o que está a resistir. A própria procrastinação vem do medo de falhar, medo de assumir riscos, do que os outros vão pensar e medo até de ter sucesso! (“Será que vou conseguir dar resposta?”)

Também podemos ter medo da expectativa dos outros sobre nós, porque há o pensamento, ainda que inconsciente de que “Se ficar como estou não ganho mas também não perco, assim é mais seguro”. Verdade, tudo isso é verdade. Mas prefere ficar na mesma ou evoluir e crescer? Se prefere ficar na mesma, tudo bem. Se prefere crescer e evoluir, vamos a isso, se for preciso arranje um/a coach ou terapeuta para ajudar nestes primeiros passos e nas suas inseguranças.

O que importa é manter uma atitude de abertura, curiosidade e não julgamento para com todo o processo. Não julgamento é fundamental. A crítica interna, o sermos muito duros connosco, termos de ser perfeitos a todos o momento e não poder falhar, é contraproducente. É impossível não cometer erros no processo. Faz parte. Só assim aprendemos e vamos caminhando.

3. Assumir a responsabilidade pelo processo, pelo sucesso ou pelo fracasso

Após ter trabalhado os dois primeiros pontos, aprender a identificar as desculpas: “Não tenho tempo/não tenho dinheiro/não sou capaz”. Se não tem tempo, o que pode fazer para disponibilizar esse tempo? Se não tem dinheiro, como pode criar recursos para o ganhar? Se se sente incapaz, o que pode fazer para tornar-se capaz?

Quem tem um negócio é inteiramente responsável por ele a todos os momentos, o que corre bem e o que corre menos bem. Tem de ir avaliando e actualizando-se constantemente, questionando-se regularmente o que pode fazer para melhorar e para aperfeiçoar-se na sua área. Que competências chave lhe faltam? Que recursos? Que contactos? Que ajuda? Procurar por elas.

4. Gerir as frustrações (e as emoções)

Este ponto é fundamental a todas as áreas da vida: lidar com a frustração de quando corre menos bem, leva mais tempo do que o previsto, não é imediatamente reconhecido, outros criticam ou desvalorizam o que está a fazer, etc. Muitos vão ser os desafios. Há que ter estrutura para suportar os vários embates que poderão surgir, e isso pode ser alcançando trabalhando no seu desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, que são peças determinantes ao sucesso da sua vida profissional.

Devemos ser racionais nas nossas decisões e não emocionais, principalmente quando estamos pessimistas, deprimidos ou mesmo eufóricos. Não devemos basear as nossas decisões nesses estados. Sim, o o pessimismo pode ser um traço ou um estado, o que quer dizer que há pessoas fundamentalmente pessimistas. Quando for assim, é preciso trabalhar esse ponto antes de avançar para qualquer outro, porque senão tudo vai ficar comprometido, todos os pensamentos ou decisões a respeito do negócio, o que quer dizer que, provavelmente, estando nesse estado, não avançará.

Todas as emoções são transitórias, mesmo a excitação e o entusiasmo, não se mantêm eternamente. Há que, constantemente, colocar lenha na fogueira da motivação, ou ela, por si mesma, pode esfriar. Mas acima de tudo, manter a razão intacta: ainda que hoje corra mal e se sinta péssimo, amanhã pode fazer, e sentir-se diferente (e normalmente sentir-se-á).

5. Estabelecer objectivos temporais

Já respondeu ao “quê”, “como”, “quem” e “porquê”, agora resta responder à questão “quando”. Deve ter metas, objectivos marcados no tempo: e quanto tempo se propõe alcançar determinada meta? Por dia, semana, ou mês, o que é importante conseguir? Pode estabelecer quanto quer ganhar, em quanto tempo; quantas horas quer trabalhar por dia, ou por semana; quantos contactos ou publicações quer fazer por dia, ou por semana; etc. Tudo o que decidir, é importante colocar um timing ou um prazo para o concretizar.

6. Agir com inspiração e estar em alinhamento com a sua verdade

Isto é o que se chama de acção certa. Deixar-se guiar pela intuição, estar em contacto com a sua verdade e com a sua inspiração num dado momento, e segui-lo, seguir esse impulso, sempre com a mão da razão a acompanhar. Intuição e razão a trabalhar juntas para um dado objectivo, seja a defini-los (os objectivos), a tomar decisões, a pensar no “como” e no “quando”, por exemplo, mesmo o que publicar ou partilhar nas redes sociais. É necessário fazer tempo para isso, para estar, para pensar, para reflectir, para decidir, para ouvir os seus pensamentos e intuição. Sei que sabe do que falo. Há sempre aquela vozinha lá no fundo que diz “vai por aqui ou vai por ali”, que por vezes desafia a lógica mas que é sempre o caminho certo.

7. Perceber que há para todos (atitude de abundância vs escassez)

Sim, é verdade. Há que chegue para todos. Tudo o que é para si, certamente chegará, há que confiar nisso. Perceber que o que tem é único e só pode ser dado por si e feito por si, da forma única e exclusiva. Podem haver milhões de coaches, terapeutas, restaurantes, serviços e negócios no mundo, mas o que é seu, é apenas seu, e nasce da sua necessidade de fazer crescer uma ideia, um projecto ou um sonho há muito sonhado. Costuma dizer-se: “O sol quando nasce é para todos”, e é verdade. Deve, então, desenvolver uma atitude de fluidez na vida, de simplicidade e facilidade. Deixando-se levar. Garanto-lhe, traz os melhores resultados possíveis. Isso e não resistir à mudança e ao crescimento (sucesso/abundância).

8. Ser coerente e persistente

Ser coerente e persistente é um estado interno, manifestar o que deseja e no que acredita, pelo tempo necessário. Se quer desenvolver e ver florescer o seu negócio, há que ter as acções certas, diligentemente. É um empreendimento, um investimento de si, dos seus recursos, capacidades, competências e do seu tempo pessoal. Há que ter coerência no que passa, no que prega ou no que divulga; é passar uma mensagem clara, ter um conteúdo acessível ao seu público e fazer aquilo que diz e que pensa. Deve policiar-se constantemente para ser um exemplo da sua marca ou do seu negócio. A sua imagem, interna e externa, importa. Deve manter-se estável no tempo, reforçando isso junto da sua comunidade. É afirmar: “Eu sou isto” e vivê-lo plenamente.

9. Ter paciência com o processo e agir no timing certo para si

Depois de todos estes passos, de tudo estar alinhado e decidido, compreendido e relativamente resolvido (em termos das questões emocionais, dúvidas, ou incertezas), deve implementar o seu plano, dar os primeiros passos, sejam eles quais forem que sejam necessários e possíveis neste momento, levando tudo com o máximo de calma, prudência e paciência. Os resultados não são imediatos. Há que semear para depois colher. Ao princípio vai requerer um grande investimento da sua parte, em termos de tempo, recursos e disponibilidade, mas depois, há que dar tempo a que tudo se desenvolva e cresça.

Dúvidas e incertezas podem surgir sempre, e certamente irão surgir. Faz parte do processo. Dê-se tempo e gentileza para consigo e para com o processo. A cada momento, perguntar-se: o que posso fazer agora que esteja alinhado com a minha vontade e com as minhas capacidades actuais? Cada um só pode dar o que tem e o que pode a cada momento. E isso deve ser respeitado, compreendido e assimilado.

O conto de Elrond, o Ancião da floresta

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Não sei se sabem mas em cada floresta existe uma ou mais árvores anciãs que representam essa floresta ou mata. Elas falam a uma ou várias vozes. Pode ser apenas uma árvore ou um colectivo delas. Todas as árvores comunicam entre si constantemente, podemos ouvir as suas vozes se estivermos atentos, principalmente quando há vento (desconfio que o vento é o mensageiros das árvores e passa mensagens entre continentes e nações). O vento traz e leva informação, e todas as árvores no mundo estão ligadas por esta malha de raízes debaixo da terra, ligadas entre si por arbustos, ervas, flores e todos os tipos de plantas que possam existir.

O que é certo é que as árvores também são seres sencientes, de certa forma. Como em tudo na vida, há dos mais evoluídos aos menos evoluídos e tudo o que é planta rasteira ou árvore jovem e pequena não terá o mesmo nível do que uma frondosa e exuberante árvore de vários metros de altura, com uma grossura que uns braços não a poderão abarcar num abraço. É dessas que falo. Há vários anciãos espalhados pelo mundo. Teremos sorte se conhecermos alguns. Muitos deles estão a ser destruídos pelo Homem, com grande prejuízo para o mundo natural. E eles choram, sabem? A floresta chora a morte de uma companheira. Chora a morte da destruição do mundo natural, chora a falta de água. E muito.

Todas essas árvores são um reservatório de energia e de conhecimento. Está lá tudo, desde o princípio dos tempos, como uma biblioteca que só pode ser acedida e compreendida pelos sentidos, sensivelmente e intuitivamente. E o Homem, guiado pela mente, pela ganância e pelo poder, iludido por eles, não percebe isso. Não tem como… É essa uma das minhas grandes tristezas desde criança. Mas ontem ouvi, claramente, a voz dos anciãos que me contaram sobre o futuro e quão desolados estão. Que voz, e que força pude testemunhar.

«Criança, muitos cataclismos estão para vir… A maior parte da população do planeta vai morrer. Só ficarão uns quantos… Mas os suficientes para prosperarem novamente e apenas aqueles que terão Consciência. A seca piorará, cada vez chove menos e quando chover, será cargas de água repentinas que irão arrasar a terra e destruir muitas de nós pela passagem. Pragas e infestações seguirão, e vocês terão de aprender a cultivar a terra com aquilo que sobrar para poderem sobreviver. A decadência da humanidade será visível. A terra sempre prosperará, com ou sem humanos. Será uma purga… Uma necessidade do mundo natural, para se regenerar. É necessário, estamos a ficar sem tempo. Não à volta a dar. Já chegámos ao ponto de não retorno. Os danos são muitos… Houve muito desrespeito para o mundo Natural. Nada podemos fazer… Não te preocupes, criança. Não será já no teu tempo nem do tempo dos teus filhos [nem nesta geração nem na seguinte]. Será depois. Nós choramos com esta falta de água. Muitas irmãs estão a morrer, estão a ficar sem alimento. Somos cada vez menos. Todas sofremos… Todas choramos. Podes sentir?»

Sim, eu sinto. Eu sinto muito Elrond. Lamento por tudo aquilo que os meus companheiros fizeram, sem Consciência… Também eu choro, também eu sinto, também eu vejo.

Os vários tipos de perda pelos quais podemos passar

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Há vários tipos de perdas pelos quais podemos passar no decurso de uma vida, uma delas é a perda de alguém querido, seja porque morreu, seja porque mudou e já não é mais a mesma pessoa e deixamos de nos identificar com essa pessoa, seja porque não está mais na nossa vida, como no caso de amigos que se afastam inexplicavelmente, parceiros com quem a relação termina, etc.

Outra perda é a perda de identidade, quando perdemos um determinado papel ou afiliação a um grupo a que pertencíamos, quando deixamos de pertencer e a desempenhar determinado papel, quando por exemplo se deixa de ser chefe dos escuteiros, coordenador de uma equipa, director de uma empresa, ou mesmo se perde o trabalho. Outras situações de perda de identidade é quando se deixa de ser marido ou esposa, ou quando se perde um filho e se deixa de ser pai ou mãe, quando se deixa uma religião ou mesmo quando se faz uma operação e perdemos uma parte de nós, como no caso da mastectomia dupla ou perda de um membro ou membros do nosso corpo, seja por motivos de acidente ou doença, como no caso do diabetes, por exemplo.

A perda de autonomia surge quando se perde a capacidade de se ser autónomo, como no caso de acidentes ou doenças degenerativas em que deixa de poder funcionar fisicamente ou mentalmente com normalidade, quando se tem dificuldade em se locomover, em falar, orientar-se e fazer tarefas rotineiras e tem de se ficar dependente de outro alguém. Não acontece só com idosos com Parkinson, Alzheimer ou outras doenças. Há acidentes em que se pode ficar sem um membro, por exemplo, um traumatismo cranioencefálico que pode perturbar o funcionamento global da pessoa que o sofre. Podemos também falar aqui de perda financeira, quando alguém experiencia uma perda de emprego, ou não poder trabalhar por algum motivo, como os mencionados acima. Nesse caso, fica dependente de ajuda externa, de apoio por parte de familiares ou por parte de uma instituição, por exemplo.

A perda de segurança, mental, emocional ou física, acontece no caso de guerras, por exemplo, no caso de migrações, de situações de foragidos, que perdem a casa e os bens. Sobreviventes de traumas e abusos, que deixam de se sentir seguros no mundo. Pessoas que perdem a sua casa por motivos de insolvência é outro exemplo. Filhos de pais divorciados ou separados também se podem sentir inseguros com a perda da ideia de “família intacta”. Membros de uma comunidade violenta, como certos bairros no Brasil, na América e mesmo na área metropolitana de Lisboa, podem também sentir-se ameaçados e pouco seguros nas suas casas quando há violência, tiroteios, roubos, agressões e ameaças constantes na sua vizinhança. Ou mesmo a perda de segurança numa relação quando há violência, mentira ou traição.

Todas estas perdas podem levar a outro tipo de perda: a perda de sonhos e expectativas, quando determinadas ideias, decisões ou ideais não podem concretizar-se. Temos o exemplo da infertilidade, quando um casal enfrenta a dura realidade de não ser possível conceber um filho. Ou uma família que perde tudo, por motivos de insolvência, e tudo o que construiu no decurso de uma vida, deixa de ser deles e têm de começar do zero novamente. Uma pessoa que perde o seu trabalho ou deixa de poder desenvolver a sua carreira, por algum acidente ou doença. Ou mesmo quando não consegue concretizar o seu ideal de carreira, não conseguindo realizar-se profissionalmente. Quando alguém termina uma relação, e tudo o que sonhou e idealizou com essa pessoa não vai ser possível de acontecer.

A perda da juventude é outra, em que se sente que a energia e as capacidades que existiam antes, não estão mais presentes e se sente um declínio no funcionamento. O envelhecimento que se nota no corpo, na pele: as rugas, a flacidez, a gordura localizada, as manchas na pele, a deformação dos ossos das mãos, dos pés ou dos joelhos. As alterações na autoimagem deixam muitas pessoas deprimidas, ansiosas e angustiadas. A perda de beleza, formas e vitalidade é algo que a indústria da moda, dos cosméticos, da cirurgia plástica, e a própria medicina, tem tentado combater, mas ainda não foi possível reverter completamente o processo de envelhecimento e, por conseguinte, da morte em si. A perda da juventude é, no fundo, a inevitabilidade da morte, e nos toca a todos.

Todas estas perdas nos dão uma sensação de desorientação, tristeza, angústia, dúvida, ansiedade e medo. Ninguém nos prepara para a perda, cada um de nós tem de geri-la à sua maneira. O que acontece a seguir ninguém sabe, é o eterno desconhecido: depois de um a perda, quem serei eu? O que irá acontecer? Irá ficar tudo bem novamente? Voltarei a erguer-me, a ultrapassar esta situação? Estas e outras questões são comuns. Todas as perdas envolvem um processo de luto que terá uma duração variável, dependendo do tipo de perda e do nível de aceitação que a pessoa tem relativamente a essa mesma perda. Leva o seu tempo. E há perdas das quais podemos numa mais recuperar completamente. Mas o que é certo é que a vida continua. Todos os dias amanhece um novo dia, e há que tentar sempre superar o que nos faz sofrer.