O grande mistério da vida

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O grande mistério da vida é isso mesmo: a vida ser um mistério. Tem caminhos insondáveis que não podemos perceber com a nossa mente limitada. Queremos adivinhar-lhe os contornos, saber o que vai acontecer, controlar o máximo de variáveis que conseguirmos, perceber todos os porquês, mas há sempre algum que nos escapa. O porquê de estarmos vivos, de estarmos cá, de porquê as coisas acontecerem como acontecem e não de outra forma e porque tivemos as experiências que tivemos, principalmente se foram más.

Primeiro porque nascemos numa família, em um clã com os seus legados e histórias, com o seu peso e limitações, com as suas crenças e padrões de funcionamento. Segundo porque nascemos numa cultura e numa época específicas, que predeterminam o comportamento e as crenças dos indivíduos. Terceiro porque nascemos com uma personalidade, mesclada com características parentais. Quarto porque temos experiências ao longo da vida que nos vão moldando, e entre estes quatros pontos estão as explicações para quase tudo o que acontece connosco e porquê.

Vida e a morte fazem parte do mesmo continuum. Do nada nascemos e para o nada vamos. O espaço entre uma coisa e outra chama-se Vida, viver. O espaço a seguir à vida chama-se Morte. Antes disso, o grande mistério. Depois disso igual, o grande mistério. E nós somos apanhados entre esses dois espaços desconhecidos, de onde viemos e para onde vamos. Há pessoas que não suportam essa dose de desconhecido e questionam-se constantemente, completamente temerosas de ir para esse grande desconhecido que é a Morte, não se arriscando a viver na sua plenitude, porque a vida contém em si o potencial da morte. “Não posso fazer isto ou aquilo que apresente risco, senão o que irá ser de mim? O que irá acontecer?”.

Até dormir é um grande mistério, no sentido que mergulhamos no sono e a nossa consciência desliga-se. E o que é a morte e o nascimento senão o desligar da consciência? O nascimento não se dá sem a morte nem a morte sem o nascimento. Existimos porque a espécie tem o instinto de se perpetuar, e só pode perpetuar-se reproduzindo-se, morrendo e renascendo. De quantas mortes se faz uma vida e de quantas vidas se faz uma morte? Quantos somos ao longo da vida? Quantas vezes morremos e renascemos?

A vida é a possibilidade de morrer, e é uma passagem entre o nascimento e a morte. Esse é o mistério. Viver é um mistério. Talvez tenha as respostas para esse mistério, talvez não, mas somos pequenos demais para querer desvendá-lo. Falta-nos a humildade para reconhecer isso mesmo, que somos pequenos. Que o mistério é grande demais para nós. O mistério da vida e da morte. Vivê-lo, tal e qual ele se apresenta, é o propósito. Entregar-se ao seu fluxo e permitirmo-nos viver o que for para viver, seja o que for, custe o que custar. Se apresentarmos resistência a isso, torna-se muito mais difícil tudo.

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