Tomar medicação: sim ou não?

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Quero falar na medicação ansiolítica e antidepressiva, no caso de adultos. Atendo muita gente que se recusa a tomar medicação, mesmo quando poderia beneficiar dela. Muita gente porque não se quer tornar dependente da medicação e quer resolver as coisas sem tomar nenhum fármaco. Tudo bem, mas há casos e casos. Se não consegue controlar a sua ansiedade e ela se torna incapacitante, não consegue dormir consistentemente, não consegue controlar pensamentos obsessivos, tem tiques, agitação constante, não consegue comer ou come compulsivamente em resposta às suas emoções, não consegue manter a sua atenção nas tarefas diárias e de trabalho, tem ideação suicida constante (pensamentos sobre morte e morrer), não consegue funcionar normalmente, anda sem energia, desmotivado e arrasta-se para fora da cama todos os dias, poderá realmente beneficiar de medicação.

Tomar medicação é fazer um tratamento utilizando fármacos cujo objectivo é tranquilizar, induzir ao sono, melhorar ou regular o humor, ou até inibir pensamentos obsessivos e paranóicos. A linha que separa a saúde da doença mental é muito ténue e pode acontecer a qualquer um de nós. Não há quem passe sem um episódio depressivo ou um episódio de ansiedade intensa pelo menos uma vez na vida. Todos passamos por perdas, desilusões, sensação de fracasso, separações, mudanças, etc. Todos vamos reagir a esses acontecimentos de vida com variadas emoções, de variada intensidade e duração variada, de alguns dias a algumas semanas, meses ou anos.

Dependendo dos casos, sim, a medicação é uma boa alternativa. E quando se fala em tomar medicação, o medo mais comum é que seja para o resto da vida. Como quem diz: “Se aceito tomar medicação, aceito que tenho uma doença. Se aceito que tenho uma doença, torno-me um doente. Se me torno um doente, serei doente para o resto da vida.” E sim, por vezes ficamos doentes. Hesita tomar medicação para uma dor dentes ou uma valente dor de cabeça ou cólicas menstruais? Uma depressão ou um período de tempo com ansiedade intensa pode ser contido por medicação, um tratamento que pode ir até seis meses ou de seis meses a um ano. Ou seja, tomar medicação pode ser apenas por alguns meses. Se ficar melhor, óptimo, se precisar de mais tempo, também está bem.

A medicação deverá ser sempre acompanhada de apoio psicológico, para não ser uma medida recorrente e a única que usa. Tomar medicação sim, se é necessário, mas tratar as causas (porque a medicação trata os sintomas), as causas que estão por detrás dos sintomas é a psicologia ou a psicoterapia que trata. A maior parte dos médicos ou psiquiatras ainda não faz esta ponte nem faz essa recomendação, mas as duas deveriam sempre andar de mãos dadas, parte médica e parte psicológica, porque as duas são fundamentais para o sucesso da cura de um paciente que está doente, seja por quanto tempo for.

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