Os vários tipos de perda pelos quais podemos passar

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Há vários tipos de perdas pelos quais podemos passar no decurso de uma vida, uma delas é a perda de alguém querido, seja porque morreu, seja porque mudou e já não é mais a mesma pessoa e deixamos de nos identificar com essa pessoa, seja porque não está mais na nossa vida, como no caso de amigos que se afastam inexplicavelmente, parceiros com quem a relação termina, etc.

Outra perda é a perda de identidade, quando perdemos um determinado papel ou afiliação a um grupo a que pertencíamos, quando deixamos de pertencer e a desempenhar determinado papel, quando por exemplo se deixa de ser chefe dos escuteiros, coordenador de uma equipa, director de uma empresa, ou mesmo se perde o trabalho. Outras situações de perda de identidade é quando se deixa de ser marido ou esposa, ou quando se perde um filho e se deixa de ser pai ou mãe, quando se deixa uma religião ou mesmo quando se faz uma operação e perdemos uma parte de nós, como no caso da mastectomia dupla ou perda de um membro ou membros do nosso corpo, seja por motivos de acidente ou doença, como no caso do diabetes, por exemplo.

A perda de autonomia surge quando se perde a capacidade de se ser autónomo, como no caso de acidentes ou doenças degenerativas em que deixa de poder funcionar fisicamente ou mentalmente com normalidade, quando se tem dificuldade em se locomover, em falar, orientar-se e fazer tarefas rotineiras e tem de se ficar dependente de outro alguém. Não acontece só com idosos com Parkinson, Alzheimer ou outras doenças. Há acidentes em que se pode ficar sem um membro, por exemplo, um traumatismo cranioencefálico que pode perturbar o funcionamento global da pessoa que o sofre. Podemos também falar aqui de perda financeira, quando alguém experiencia uma perda de emprego, ou não poder trabalhar por algum motivo, como os mencionados acima. Nesse caso, fica dependente de ajuda externa, de apoio por parte de familiares ou por parte de uma instituição, por exemplo.

A perda de segurança, mental, emocional ou física, acontece no caso de guerras, por exemplo, no caso de migrações, de situações de foragidos, que perdem a casa e os bens. Sobreviventes de traumas e abusos, que deixam de se sentir seguros no mundo. Pessoas que perdem a sua casa por motivos de insolvência é outro exemplo. Filhos de pais divorciados ou separados também se podem sentir inseguros com a perda da ideia de “família intacta”. Membros de uma comunidade violenta, como certos bairros no Brasil, na América e mesmo na área metropolitana de Lisboa, podem também sentir-se ameaçados e pouco seguros nas suas casas quando há violência, tiroteios, roubos, agressões e ameaças constantes na sua vizinhança. Ou mesmo a perda de segurança numa relação quando há violência, mentira ou traição.

Todas estas perdas podem levar a outro tipo de perda: a perda de sonhos e expectativas, quando determinadas ideias, decisões ou ideais não podem concretizar-se. Temos o exemplo da infertilidade, quando um casal enfrenta a dura realidade de não ser possível conceber um filho. Ou uma família que perde tudo, por motivos de insolvência, e tudo o que construiu no decurso de uma vida, deixa de ser deles e têm de começar do zero novamente. Uma pessoa que perde o seu trabalho ou deixa de poder desenvolver a sua carreira, por algum acidente ou doença. Ou mesmo quando não consegue concretizar o seu ideal de carreira, não conseguindo realizar-se profissionalmente. Quando alguém termina uma relação, e tudo o que sonhou e idealizou com essa pessoa não vai ser possível de acontecer.

A perda da juventude é outra, em que se sente que a energia e as capacidades que existiam antes, não estão mais presentes e se sente um declínio no funcionamento. O envelhecimento que se nota no corpo, na pele: as rugas, a flacidez, a gordura localizada, as manchas na pele, a deformação dos ossos das mãos, dos pés ou dos joelhos. As alterações na autoimagem deixam muitas pessoas deprimidas, ansiosas e angustiadas. A perda de beleza, formas e vitalidade é algo que a indústria da moda, dos cosméticos, da cirurgia plástica, e a própria medicina, tem tentado combater, mas ainda não foi possível reverter completamente o processo de envelhecimento e, por conseguinte, da morte em si. A perda da juventude é, no fundo, a inevitabilidade da morte, e nos toca a todos.

Todas estas perdas nos dão uma sensação de desorientação, tristeza, angústia, dúvida, ansiedade e medo. Ninguém nos prepara para a perda, cada um de nós tem de geri-la à sua maneira. O que acontece a seguir ninguém sabe, é o eterno desconhecido: depois de um a perda, quem serei eu? O que irá acontecer? Irá ficar tudo bem novamente? Voltarei a erguer-me, a ultrapassar esta situação? Estas e outras questões são comuns. Todas as perdas envolvem um processo de luto que terá uma duração variável, dependendo do tipo de perda e do nível de aceitação que a pessoa tem relativamente a essa mesma perda. Leva o seu tempo. E há perdas das quais podemos numa mais recuperar completamente. Mas o que é certo é que a vida continua. Todos os dias amanhece um novo dia, e há que tentar sempre superar o que nos faz sofrer.

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