A Responsabilidade

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Custa não é? Pesa, esta coisa da responsabilidade. Responsabilidade é crescer, é amadurecer, é não poder voltar atrás, enfiar-nos em um buraco escuro e nada fazer, dormir para o resto da vida, ser pequenos e crianças a vida inteira. Ser responsável é dar a cara, é ser adulto, é assumir as consequências do próprio comportamento, é poder contar só consigo para resolver as coisas, para seguir em frente, para processar as suas emoções, para fazer diferente, para gerir a sua vida, as suas finanças e os seus assuntos.

A responsabilidade assume uns contornos dolorosos quando olhamos para ela como se fosse uma montanha, como se fosse um fardo, uma imposição ou uma cruz. Há quem diga: “Ser responsável é ser chato”. Ficámos com esta ideia desde crianças, que ser adulto é chato, é uma “seca”, porque quando nos diziam que tínhamos de ser responsáveis significava sempre termos de fazer coisas que não nos apetecia fazer e, por nossa escolha, não seriam feitas de todo, ou não as faríamos naquela altura, e aí sim, a responsabilidade era uma imposição.

É, de facto, mais fácil, não ser responsável por nada nem por ninguém. Podermos culpar os outros pelo nosso insucesso ou fracasso. Culpar o que está fora, ou simplesmente não fazer nada para mudar, ou não fazer o que precisa de ser feito. Isso custa, aborrece, é frustrante. Mas é o que é necessário fazer, e ninguém pode fazê-lo por nós quando somos adultos. Na infância fazem grande parte das coisas por nós, à medida que vamos crescendo vamos tendo mais responsabilidades e tarefas, e a adolescência é exactamente a transição entre o que é suposto os pais fazerem e o que é suposto os adolescentes fazerem. E a mudança (a transição) custa a todos.

A responsabilidade é algo necessário de assumir, a sua força, a sua necessidade, a sua importância e a sua dificuldade até, por vezes. A importância que tem, apesar da dificuldade que possa ter. Pode ser algo que leve com leveza ou com peso. O que é certo é que quando somos capazes de assumir a responsabilidade pelo que somos e pelo que fazemos, podemos andar de cabeça erguida, sem medo. Aí somos resilientes. Quando não, quando as responsabilidades são maiores que as nossas capacidades de lhes darmos resposta, algo precisa ser feito: ou colapsamos, ou mudamos e aprendemos a dizer “não” e a pedir ajuda.

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