Pirâmide das necessidades

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Vivemos numa era de realização pessoal. Só viver por viver, com as necessidades humanas básicas satisfeitas, já não nos preenche. Estes novos tempos podemos viver precariamente, sem contratos de trabalho, com rendimentos muito baixos face às actuais rendas, com trabalhos que já não são certos nem “para a vida”, e muitas vezes, trabalhando em locais onde a nossa qualificação é bem superior ao posto, mas, acima de tudo, o que se procura é a auto realização e a satisfação pessoal face ao trabalho.

Queremos, essencialmente, trabalhar por gosto, por gozo, por afinidade, por satisfação e por termos o perfil certo para determinado trabalho. Encaixarmos por encaixar também não serve, há que ser compatível connosco, a relação, o trabalho, a casa e as amizades. Não fazemos as coisas por fazer, não estamos por estar, não queremos já fazer porque nos dizem que é o correcto, porque é o que tem de ser feito. O determinismo não encaixa já na nossa forma de ver a vida e as nossas necessidades. Questionamo-nos: “No que é que realmente sou bom? No que é que teria mesmo prazer em trabalhar? Por quanto tempo o quero fazer?”

Portanto, geracionalmente, temos subido na pirâmide das necessidades. Desde o tempo dos nossos antepassados, que tinham de se sujeitar a condições miseráveis, salários parcos, parcas condições, e não se podia reclamar, tinha de se sujeitar à autoridade vigente, passámos à geração que reclama, que é reivindicativa, que quer mais, que exige mais. Ainda existe muito em nós, ou em muitos de nós, do padrão de escassez e de humildade dos nossos antepassados, em que não se podia ter muito, não se podia ser muito ambicioso, etc. Contudo, estamos a despertar desse transe e a fazer diferente. Pelo menos, pensar diferente e ganhar consciência que as faltas dos nossos antepassados não têm de ser as nossas.

Nunca vivemos numa sociedade com tanta formação, licenciados e graus de mestre. Nunca tivémos tanto trabalho especializado e tantos serviços. Com tanta escolha e tantas possibilidades, podemos dar-nos ao luxo de escolhermos o que queremos ser, e normalmente a grande parte dos pais, consegue ajudar os filhos a tirar um curso superior, o que lhes garante, à partida, maiores oportunidades de emprego, com ordenados superiores. Isso pode nem sempre verificar-se, mas falamos aqui em “oportunidade”. Lá está, há que lutar por um posto melhor e melhores rendimentos.

Como tal, no meio desta evolução da sociedade, também vivemos tempos em que estamos mais disponíveis para trabalhar em nós e no que queremos ser: trabalhar na autoestima, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Nunca nos questionámos tanto e nunca houve tanta oferta de terapias e centros de terapias como agora. Nunca se falou tanto da parentalidade, da psicologia, criatividade e empreendedorismo. Existe uma evolução social do ser humano e dos seus processos psicológicos e de desenvolvimento. A pirâmide está a ser escalada até ao topo. Estamos a escalar etapas, a ganhar patamares.

Mas, e quando chegarmos ao topo? O que falta? Talvez manter, ou arranjar novos objectivos. Para o ser humano não há fim. Tudo são ciclos, e passaremos pelos vários patamares talvez até várias vezes na nossa existência, às vezes retrocedendo, outras vezes avançando. Como no artigo anterior, o equilíbrio é fluído, não é estático. E entre estes patamares vamos vivendo, sempre tentando chegar, e manter, o topo.

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