O chegar atrasado e o que isso pode querer dizer

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O chegar atrasado pode ser um pequeno gosto por transgredir quando em criança se teve de ser obediente ou não se pôde fazer o que se queria. Surge como um pequeno acto de rebeldia, ou uma emancipação, como quem diz: “Agora faço o que eu quiser!”. Se por um motivo nos dá um gozo secreto de poder transgredir (e o mesmo pode ser dito relativamente a outras regras, como de trânsito, por exemplo), por outro nos conduz a frustração, raiva, ansiedade e stress, como um mecanismo de autosabotagem que antecipa um castigo ou uma consequência negativa, tal como em criança.

Todos temos um ego infantil, a par de um ego adulto. Um pode estar mais desenvolvido do que outro, e o ideal é que seja o ego adulto. O ego infantil às vezes manifesta-se em atitudes de rebeldia, de submissão, de travessura, de birra ou amuo. O chegar atrasado pode surgir como um acto de rebeldia, ou uma travessura secreta da qual a própria pessoa não tem consciência. Também se atribui o chegar constantemente atrasado a pessoas que têm dificuldade em gerir o tempo e acham sempre que conseguem fazer muito mais coisas do que na realidade conseguem no tempo disponível, e quando dão por si, já é a hora em que seria suposto chegar a qualquer sítio ou compromisso.

Atribui-se isso, segundo alguns artigos duvidosos que surgem nas redes sociais, a inteligência e optimismo. Tenho as minhas dúvidas acerca do assunto, acredito mais nesta hipótese da transgressão versus castigo. Este pequeno acto de transgressão, em que quase se sente prazer na possível consequência, foi o que em criança pode ter experienciado no passado: uma atenção negativa, quando só tinha atenção dos pais quando cometia uma transgressão, ou, pelo contrário, se só tinha aprovação se fosse obediente e nunca transgredisse.

A criança cresce e vê-se no direito de poder decidir sobre a sua vida, e este mecanismo pode entrar em acção. Nesse caso, mesmo em adulta, está a testar a autoridade dos pais, figurativamente, com os atrasos, como quem diz: “Olhem para mim! Agora posso transgredir e vocês não podem fazer nada a respeito!”. E sim, torna-se necessário olhar essa necessidade de correr contra o tempo, atrasar-se constantemente, ocupando-se com coisas desnecessárias, e evitar chegar a horas.

Que mecanismo entra em acção aí? Não gosta de esperar? Não pode sentir que faz poucas coisas ou desaproveita o tempo? Gosta de ocupar cada minuto livre com alguma coisa? Receia ficar no vazio? Fica ansioso se faz as coisas com tempo, se está calmo? Precisa do stress do atraso para funcionar e finalmente fazer o que precisa ser feito antes de sair? Estas e outras questões podem ser feitas. O que importa é o que para si está na origem dos atrasos consecutivos. Pode ver, observar, testemunhar, criar consciência, e depois, resolver essa ambivalência, se quiser.

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