O pânico e o medo na actualidade

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A ansiedade e o pânico são recorrentes em grande número de pessoas actualmente, em crianças, adolescentes e adultos, de qualquer idade. Mais a mais quando há motivos muito fortes para isso como as circunstâncias actuais de isolamento, quarentena e risco de infecção por um vírus novo, que pode levar à morte. Há uma grande incerteza actualmente em como tudo se irá desenrolar daqui para a frente, e tudo fica em suspenso: os trabalhos, as rotinas habituais e sociais, estando a ficar limitadas as opções relativamente a locais onde podemos frequentar e dirigir-nos, como supermercados e restaurantes ou outros locais públicos, como praias e centros comerciais ou postos de saúde e farmácias.

Já há vários estabelecimentos a fechar por tempo indeterminado ou a funcionar com os serviços mínimos e à porta fechada. Todos os cuidados são poucos actualmente. Vivem-se tempos de privação e medo, preocupação e angústia existencial. Como deveria ser. Sim, porque todas essas reacções são normais face a esta pandemia que nos colocou a todos de sobressalto. Impede-nos das coisas mais básicas e humanas, como evitar contactos físicos, beijos e abraços, estar com família alargada e amigos, frequentar locais de socialização, etc. É normal todos estarmos a sofrer de alguma forma com esta situação.

Há momentos em que nos vamos sentir desesperados, com medo, por nós e por pessoas queridas, por dúvida ou por perdas materiais e financeiras que possamos experimentar, recebendo menos salário ao final do mês ou não receber de todo, considerando a situação laboral em que se encontra. Tudo isso mexe com as nossas estruturas. Há pessoas a quem vai custar mais este isolamento, como idosos ou pessoas que já por si estão isoladas, ou que morem sozinhas, ou que estejam longe de amigos e familiares por algum motivo, ou mesmo pessoas que viajaram e tiveram de ficar de quarentena nesses países. São inúmeras as possibilidades.

A ansiedade é filha do medo, e o medo reporta sempre à sobrevivência. Neste momento temos medos concretos de perdermos a vida, ou pessoas próximas poderem perder a vida. Temos também medo de ficar sem ordenado que é sinónimo de ficarmos sem sustento. Outro medo é o de ficar sem alimentos, sem casa por falta de pagamento de renda. Medo de ficar limitado e confinado em casa. Medo de ficar em isolamento ou sozinho. Medo de não ter ajuda disponível, medo de não haverem recursos para salvar a vida.

Sim, a mente reporta-nos todas estas possibilidades. A mente foi desenhada para resolver problemas, apresentar as várias possibilidades de cenários futuros e encontrar soluções práticas para as resolver, amenizar, superar ou evitar. Mas nem sempre temos as condições ou os recursos para o fazer – para resolver o que quer que seja que nos coloque em risco. Aí entra o medo de não podermos controlar a situação, quando esse controlo, as respostas ou as soluções estão fora de nós e em outros. É o que se passa actualmente. Há coisas que não podemos controlar, que estão fora do nosso controlo e da nossa capacidade de decisão e de acção, como as decisões por parte do governo, que é um órgão decisor sobre as nossas vidas.

Então o que fazer perante um cenário destes? Para além do que já falei nos dois artigos anteriores, há que activar um protocolo de gestão emocional:

1. Técnicas de distracção cognitiva: afastar-se da fonte das preocupações e ocupar-se com outra actividade. Ler, jogar, meditar, ver um filme, arrumar a casa, etc.

2. Ventilar o problema: falar com amigos e familiares sobre as suas preocupações e relativizar o problema.

3. Racionalizar: não deixar que as emoções tomem conta de si. Recolher informação correcta e actual e ficar com essa informação. Sabendo que se cumprir determinadas normas estará seguro.

4. Técnicas de contenção emocional: respirar, desfocar do problema, fazer reiki, meditação ou exercícios de relaxamento. Tem ao seu dispor várias ferramentas dessas em várias aplicações e plataformas como o youtube.

5. Usar as ferramentas virtuais: procurar ajuda psicológica para estes momentos de crise via consultas online. Ouvir podcasts, lives ou programas com sugestões para momentos de crise, ou programas que goste e que o tranquilizem.

6. Rezar: se tem uma fé, pode ajudar fazer uma oração por dia. É uma forma de meditação e pensamento positivo. Tudo o que resultar para si.

7. Pensamento positivo ou treino mental: programar a sua mente a obedecer a comandos e a distraí-la sempre que se repete. De nada adianta a ruminação de problemas.

8. Esperar que a crise passe: exactamente. Não há mais nada a fazer. Estamos em crise, numa situação de emergência global de saúde pública. Não é a primeira vez nem há de ser a última que isto acontece, estes surtos pandémicos de vírus novos que chegam e arrasam a nossa capacidade de lhes dar reposta. A prevenção é a medida mais correcta a utilizar neste momento. Mantenha-se informado e em casa e aguarde por mais instruções.

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