O buraco por onde a Alice caiu

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É dos filmes que mais me marcou, de uma forma que ainda nem consigo perceber bem, mas que tem tanto de simbólico como de graficamente deslumbrante. Em termos de simbolismos, imagens e cor, impressiona-me desde sempre. Em criança vi este filme dezenas de vezes e ainda hoje me lembro dele. A aventura daquela menina, curiosa, sempre em busca do caminho, por vezes perdendo-se e encontrando desafios, até que por fim acorda e percebe que esteve a sonhar. Talvez seja a história da minha própria vida, e a de todos nós.

Hoje estava a ler qualquer coisa que me fez lembrar da imagem da Alice a cair pelo buraco do coelho (Alice down the rabbit hole, como no filme original), e era algo que falava na nossa queda livre neste momento e de facto ocorreu-me esta imagem: de repente esta personagem cai por um buraco para um mundo de fantasia e sem sentido que a faz questionar a sua sanidade mental e cuja saída parece sempre rodeada de desafios e de momentos de desespero, com personagens a correr de um lado para o outro (o Coelho, o representante do tempo que não conseguimos controlar) e a fazer disparates (o Chapeleiro Maluco, que não se importa com nada do que se passa no mundo, e a Rainha de Copas que é uma tirana e castiga toda a gente, por exemplo).

Há também uma figura sábia e sagaz, o Gato de Cheshire, que só aparece muito de vez em quando com frases enigmáticas, desaparecendo logo de seguida e deixando a Alice intrigada (quase a nossa intuição com mensagens da nossa Alma). E há um momento em que a Alice finalmente sai daquele reino maluco para dar de caras com o seu último desafio: o Julgamento da Rainha de Copas.

Entre estas e aquelas coisas que acontecem neste filme, ela vai encontrando pedaços de cogumelos e frasquinhos com poções mágicas que ora a fazem crescer ora diminuir de tamanho, e isso também tão representativo da nossa jornada – ora somos grandes e adultos (fortes e valentes), ora regressamos à nossa criança interior (pequena e com medo).

E cá estamos nós, saltitando entre umas coisas e outras, entre o “vou ocupar-me” com o desespero do que há de vir. Ora o pensamento de “vai ficar tudo bem”, ora o de “o que será da minha (nossa) vida daqui para a frente?”. E lá vamos caindo por ali abaixo, por este buraco social, económico e psicológico, sem grande controlo sobre ele, a não ser a nossa sanidade mental, a agarrar-se à surpresa de tudo isto e tentando perceber, afinal, o que se está a passar.

E pronto, iniciei este texto apenas com uma ideia, ou pelo menos com uma imagem, e chego aqui, como a Alice, a perguntar-se: então e agora?

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