A postura nos relacionamentos

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Atendo muitas mulheres que, com receio da desaprovação, da rejeição ou mesmo da perda, não expressam a sua verdade, as suas dúvidas, as suas angústias e as suas inseguranças aos companheiros ou namorados, principalmente numa fase inicial do relacionamento, na fase do namoro em que ainda se estão a conhecer. E isso pode prolongar-se para o resto do tempo que durar esse relacionamento.

Vejo mulheres que querem fazer-se de fortes, de valentes, que não podem, por algum motivo, mostrar-se muito interessadas na outra pessoa, não vá o homem fugir se sentir demasiado interesse. Mulheres que acham que não se podem expor demasiado, mostrar demasiado, e que, de alguma forma, acham necessário manter uma postura de desinteresse, de ausência de emoção ou sentimento para não intimidar o homem com quem estão.

Se esse homem fica intimidado com isso, se fica aborrecido, irritado, ou se retira e afasta quando é verdadeira e genuína com ele, será esse o homem que quer manter na sua vida? Vale a pena uma relação onde não possa ser espontânea e verdadeira? Vale a pena colocar-se estas questões, se assim for.

Aprendemos algures, não sei bem porquê ou quando, que tem de se ter muito cuidado quando se lida com homens, que eles são fugazes, superficiais, muito pragmáticos e alérgicos a romance e sentimento. Onde aprendeu isso? Com quem? Em que altura? Talvez essas crenças não sejam verdade. Talvez se tenha envolvido com pessoas assim, talvez as suas amigas digam que é assim, ou a sua mãe, ou as mulheres da sua família, ou as séries e filmes que viu na adolescência lhe tenham mostrado essa realidade dessa forma.

Mas, mesmo que tenha sido essa a sua experiência, mesmo que tenha acreditado que era assim que eram as coisas, e que era assim que tinha de ser e funcionar junto de um homem, agora é altura de parar e questionar-se: é assim que quero ser? Essa postura serve-me? Leva-me a relacionamentos autênticos e felizes? Ou tenho estado a perder tempo ao não mostrar o que verdadeiramente quero?

Quando somos verdadeiros connosco e com os outros, mostramos o que queremos, o que é importante para nós, e quais são os nossos limites, o outro também se pode posicionar e saber claramente com o que contar e se nos pode dar, ou não, o que nós pretendemos. Se mais depressa souber isso sobre outra pessoa, mais depressa pode tomar uma decisão, de ficar ou partir desse relacionamento. Se esse relacionamento, ou o relacionamento com essa pessoa em concreto, não serve os seus ideais, o melhor é ponderar se deve continuar nesse relacionamento ou não.

Aqui o que importa é a sua postura: mostra o que quer e o que não quer? Afirma isso claramente? Confronta a outra pessoa quando ela se comporta de uma maneira que você não acha correcta? Manifesta claramente qual é a sua intenção? O que pretende desse relacionamento ou não? Tudo isto são questões valiosas no que toca a viver a relação que quer. Essa começa, em primeiro lugar, e como já se sabe, connosco – quando temos clareza sobre o que queremos, quando estamos em contacto com  nossa verdade. Em segundo lugar, há que manifestar isso claramente e assumir essa postura.

Reparou que usei a palavra “claramente” várias vezes? Porque não é deixar que o outro adivinhe, ou manifestar as coisas de uma forma subtil, ou deixar implícito. É ser clara e directa, olho no olho. Questionar o outro lado, fazer perguntas concretas. Não é andar a rodear a questão. O que quer saber concretamente? Pergunte. Se não obtiver uma resposta clara, pergunte novamente. Refira mesmo isso. Se a outra pessoa enrolar, fugir do assunto, ignorar ou desvalorizar o que está a dizer, confronte-a com isso mesmo. Há que não permitir que as nossas questões sejam desvalorizadas, seja por quem for.

Se realmente for impossível falar com a outra pessoa, se do outro lado nunca há respostas claras ou nunca há reconhecimento da sua verdade e do que você sente, questione-se se quer manter essa pessoa do seu lado. Pense que está a construir uma relação com quem não a assume completamente. Se não se pode expressar completamente em qualquer situação, vai viver uma vida amordaçada, e cada vez mais vai ter tendência a calar a sua verdade, a sua essência, e, mais cedo ou mais tarde, vai perguntar-se para onde foi a sua autoestima, a sua espontaneidade e a sua alegria.

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