Carta à adolescente que fomos

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Querida adolescente, o pior já passou. Já ultrapassaste tudo isso, todos esses dramas, as inseguranças, os complexos, os medos, a crítica, os desentendimentos, a vergonha. Essa fase acabou, passou. Todas as pessoas que te maltrataram, gozaram, ridicularizaram, mentiram, enganaram, atraiçoaram a tua confiança, já não estão mais na tua vida, já perderam a importância e já seguiram com a vida delas.

Todas essas pessoas que faziam parte do teu micro cosmos, não existem mais. Espalharam-se pelo mundo. Muitos estão noutras cidades, noutros países. Muitos casaram e tiveram filhos, outros viajam pelo mundo, tornaram-se alguma coisa, mas todos, sem excepção, saíram da adolescência, por mais intensa e delicada que tenha sido.

Hoje cresceste, és mulher, és adulta. Também tu fizeste alguma coisa da vida. Tornaste-te quem realmente querias ser. És agora um exemplo para ti mesma e conseguiste tudo o que escreveste na tua listinha dos 16 anos, e continuas a conseguir e a criar novos objectivos e a crescer, sempre. Tudo o que te angustiou não existe mais, ultrapassaste e nem te apercebeste. Há que parar um momento para reconhecer isso: não és mais quem eras nessa altura.

Olha para ti agora, olha-te ao espelho. Vê quem és, reconhece-te. Fizeste um excelente trabalho. Todas as coisas que acreditaste sobre ti que vêm dessa altura, transforma-as no que és agora. Se te achavas feia, gorda, sem jeito, desinteressante, incompetente, ou o que seja que pensavas sobre ti, esquece-o. Não são verdade. Podia ser como te sentias nessa altura, mas isso não corresponde à verdade, nunca correspondeu. Apenas te iludias com essas ideias e pensamentos, mascarando o teu verdadeiro valor, que sempre esteve lá. Consegues vê-lo agora?

Adulta, consegues ver a tua adolescente? Reconhecer-lhe valor? Diz-lhe isso mesmo: “tu conseguiste. Tu és vitoriosa. Venceste todos os difíceis obstáculos que a vida te colocou à frente. Eu admiro-te, eu apoio-te, eu reconheço-te. Estou orgulhosa de ti, de tudo o que conseguiste, de tudo o que passaste e tudo o que tiveste de ultrapassar para estar aqui hoje. De todas as vezes que tiveste de confrontar os teus piores medos. De ter de dar a cara numa escola ou local que te era hostil, desafiante, difícil, humilhante ou qualquer que tenha sido a tua experiência nessa altura. Aceito que essa foi a tua história, que essas foram as tuas lutas. Não são mais as tuas lutas agora, actualmente. Deixa-as ir para onde pertencem: o passado. Eu honro-te e apoio-te, no que és e no que foste. Tu és importante”.

(Repita isto para si mesma as vezes que forem precisas até se sentir em paz com aquilo que foi a sua adolescência).

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