As emoções são nossas amigas

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Muitas vezes as emoções colocam-se no nosso caminho, turvam-nos a vista, não nos deixam ver ou agir com clareza, e por mais que as espantemos, elas estão sempre ali, a estorvar, por mais que a nossa mente as tente afastar ou analisar. Por mais racionais ou inteligentes que sejamos, e por mais que compreendamos os motivos para uma série de coisas que trazemos dentro e que acontecem connosco, não conseguimos evitar as emoções associadas. Não conseguimos, nem devemos.

Atendo pessoas muito pragmáticas, mentais, racionalistas, analistas e perfeccionistas, e essas são exactamente as pessoas que mais têm dificuldades em aceitar as emoções que levam dentro de si. Tentam fechar as portas a essas emoções, recalcá-las, espantá-las, reprimi-las, e o raio das emoções teimam em aparecer nas alturas mais inapropriadas, a meter-se no trabalho e nas relações com os outros, seja no trabalho, seja nos relacionamentos íntimos.

A ansiedade é o primeiro sintoma, que essas pessoas tentam domesticar ou afastar, evitar ou esquecer que o têm. Devo dizer que essa ansiedade só tem tendência a aumentar e a fazer-se sentir nas mais diversas situações, generalizando-se da casa para o trabalho, ou do trabalho para casa. Não há como fugir.

Quem me conhece e trabalha comigo sabe que eu defendo que as emoções são mensageiras do nosso inconsciente, que são sintomas de algo que ficou por ver. Há quanto mais tempo está essa coisa por ver, mais intensa será a emoção. As emoções pedem clarificação, pedem reconciliação, pedem aceitação do que foi, como foi. Há que vê-las, há que explorar de onde vêm – normalmente de sítios muito profundos em nós.

Quem tem medo da profundidade, azar, ou não faz este trabalho, ou leva muito tempo a evitá-lo, e essas emoções só têm tendência a avolumar e a agigantar-se dentro de nós. Há que vê-las, o quanto antes. Não deixaria a sua criança, o seu ou a sua filha a gritar na sala ao lado sem saber o que se passa, pois não? Assim são as emoções, rebeldes e intempestivas. Querem, e precisam, fazer-se ouvir.

Há quem seja experiente, ou expert, em calá-las, distraí-las das mais variadas formas, com trabalho, com amigos, com saídas, com fumo, com álcool, com programas de televisão, o que seja. Mas não há como fugir. Por mais ameaçadoras que sejam essas emoções, todas elas nos querem dizer algo, passar uma mensagem. E essa mensagem, normalmente, é muito importante. Há que fazer esse trabalho, custe o que custar.

Se me vai responder: “Mas não há nada que faça mais do que sentir ansiedade ou medo!”, sim, eu sei. Sentir constantemente e identificar o sintoma ou emoção é uma coisa, olhar para a causa dessa emoção é outra completamente diferente. E pode também responder-me: ” Mas eu já fiz esse trabalho e sei de onde vem essa ansiedade ou medo!”, também está certo. Olhar e perceber as causas é outra parte do trabalho, como quem diz, ter consciência delas.

O que ofereço no trabalho com emoções é a integração, resolução, pacificação e reconciliação dessas emoções com as causas. E isso sim, conclui a tarefa. Há que olhar sim, com ou sem medo. Ver o que lá está e poder fazer as pazes com isso. Quanto mais resistência, pior ou mais difícil. Mas é dos trabalhos mais bonitos que podemos fazer em nós, a meu ver.

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