Contestar pensamentos recorrentes

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No podcast desta semana, A mente mente, falei um pouco disto: das nossas crenças e dos pensamentos decorrentes delas e em como podemos contestar esses mesmos pensamentos, quando eles nos levam a nos sentirmos um fracasso, deprimidos ou ansiosos, por exemplo.

As teorias cognitivas defendem que o que pensamos determina o que sentimos, e de facto os nossos pensamentos determinam a qualidade do nosso sentir. Ou melhor, a qualidade dos nossos pensamentos determina a qualidade do nosso humor. Se temos pensamentos felizes, fortalecedores, de estima, de motivação, de apreço, vamo-nos sentir bem, em paz, com energia. Se, por outro lado, temos pensamentos negativos, de crítica e julgamento, de culpa, focados na falta ou na inveja, por exemplo, vamo-nos sentir zangados, desmotivados ou até deprimidos.

Parece lógico, certo? Pois bem, esses são os nossos pensamentos recorrentes ou onde eles estão focados: na falta (carência) ou naquilo que temos (gratidão) e podemos vir a ter (inspiração e motivação). Crenças é algo que vai mais fundo. São coisas em que acreditamos, sobre nós, sobre o mundo, sobre os outros e sobre o futuro. E normalmente os nossos pensamentos derivam das nossas crenças nucleares.

Imaginem uma pessoa que acredita que os outros não são de confiança, ou que não se pode confiar em ninguém – os seus pensamentos, quando conhecem alguém novo podem ser: “Hmm esta pessoa é simpática demais, quais serão as suas intenções? De certeza que deve ter alguma na manga. Quando menos se esperar vai-se revelar”. Ou então alguém que acredita que o que diz não é interessante, estando com outras pessoas pode pensar: “Mais vale estar calado que não tenho nada de jeito para dizer. Se falo ainda gozam comigo”. Ou alguém que acredita que nada do que faz é bem feito, pode pensar: “Mais vale não me expor muito, ainda assim não reparem que sou uma fraude”, e muitos outros exemplos.

Muitas vezes, o que acreditamos sobre nós, sobre os outros e sobre o mundo, foi o que nos disseram, foi o que sempre ouvimos, ou aquilo que mais ouvimos, e isso tornou-se parte de nós. Nesse contexto, somos receptáculos de informações que nem sempre são verdade, mas um misto de opiniões alheias e crenças comuns das pessoas à nossa volta e da sociedade em que vivemos, bem como das nossas próprias percepções e pensamentos sobre elas, que se convertem em crenças.

Então o trabalho com essas crenças é exactamente contestá-las, e fazer-se a si mesmo/a as seguintes questões acerca dessas crenças:

São verdade?

São actuais?

São para manter?

Ou seja: será que essas crenças serão mesmo verdade, ou simplesmente acreditou nelas durante demasiado tempo? Será que ainda é verdade isso que acredita sobre si, ou foi o que sempre lhe disseram? Será que ainda faz sentido acreditar nisso? Será que faz sentido manter essa crença? Será que vale a pena manter essa crença? Ainda se identifica com ela? Será que a pode transformar noutra coisa mais fortalecedora? Será que essa é mesmo a sua opinião ou algo que lhe disseram e em que acreditou durante muito tempo?

Sempre que der por si a ter dúvidas, insegurança ou pensamentos negativos, perceba de onde vêm esses pensamentos, de que crenças fazem parte, e depois faça-se a si mesmo/a estas questões. Vai ver que vai encontrar resultados muito engraçados e vai pensar: “Mas como é que eu acreditei nisto tanto tempo e nunca me questionei sequer se seria verdade ou se ainda seria verdade actualmente?”. Se calhar não é essa pessoa que acredita ser, se calhar não se vê a si mesmo/a com clareza, e ainda se descreve com palavras e expressões que no passado usaram para o/a descrever (pais, irmãos e professores, por exemplo).

Questione-se, questione os seus pensamentos e as suas crenças, e melhore a qualidade dos seus pensamentos para que possa melhorar também a qualidade da relação que tem consigo.

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