A desejabilidade de ter alguém que goste de nós e que nos queira

A necessidade de pertença e aceitação é uma das maiores no ser humano, a de ser desejado e querido também. Algumas pessoas por vezes dizem que entram em relações porque a outra pessoa gosta delas, porque a outra pessoa as quer e deseja, ou lhe diz coisas como: “És especial para mim, quero construir um futuro contigo, vejo-me ao teu lado, és tu a pessoa que procurava, quero envelhecer contigo”, etc. É como se estas palavras fossem palavrinhas mágicas, ou um código que o nosso subconsciente quer muito ouvir, e, quando ouve, acciona todo um mecanismo de aceitação daquela pessoa como potencial parceiro ou parceira.

Queremos, muitas vezes, encaixar os outros nos nossos moldes, os moldes que idealizamos, e criamos toda uma fantasia sobre a outra pessoa e o seu potencial, bem como o potencial da relação, e podemos pensar coisas como: “Se a outra pessoa realmente quisesse, podia ser assim e assado. Podíamos isto e aquilo. Seria muito melhor se…” e alimentamos um monte de expectativas no desejo que o outro corresponda aos nossos sonhos mais queridos, e vejo pessoas a fazer isto “até que a morte os separe”, que é dizer, ao longo de várias décadas se for preciso.

Querer que a outra pessoa corresponda às nossas expectativas e caiba nos nossos moldes é cair na desilusão, uma vez que podemos ser nós a criar essa ilusão, esse ideal, ideal que a outra pessoa não tem como corresponder, pois não é a missão da outra pessoa ser como nós gostaríamos que ela fosse, e isso vale para amizades, pais e filhos, ou marido e mulher, namorado ou namorada. Ninguém tem, nem deve ter, a responsabilidade ou a obrigação de ser como outra pessoa deseja ou idealiza, pois cada um de nós só pode ser a sua própria pessoa, com tudo o que tem de bom ou de mau, de faltas ou de excessos. Cabe-nos sim a nós desfazer a expectativa de que o outro seja como gostaríamos que ele fosse, ou que agisse como nós gostaríamos, senão seríamos todos marionetas.

Cada um tem o seu jeito, a sua personalidade, o seu temperamento, feitio, defeitos e qualidades. Tentar alterar isso no outro é um tiro no pé, esperar que mude também. Ou se consegue aceitar e conviver com isso, ou a relação pode ser desfeita, transformada ou reciclada. Aqui o que se deve perguntar é: consegue aceitar o outro como é? O outro tem a capacidade para, ou vontade de mudar? Faz por isso, por mudar, ou são só palavras? Podem fazê-lo juntos? Qual a sua responsabilidade no lugar que ocupa? Pode mudar você? Aprender a aceitar ou a posicionar-se de maneira diferente?

A mudança não é fácil para ninguém. Apontar o dedo ao outro não lhe serve de nada. O único trabalho de mudança que pode ser feito é dentro de nós, e dentro de uma relação, seja ela qual for, quando os dois, ou mais, elementos podem dialogar, conversar, aceitar que algo precisa ser feito e estão realmente dispostos/as a mudar ou fazer algo a respeito. Agora, entrar numa relação e esperar que a outra pessoa seja o que seria melhor para si é uma fantasia muito bonita, mas não é real. Há que acordar do sonho e deixar de tentar encaixar pessoas na fantasia que construiu para si.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s