Porque não ouvimos a nossa intuição?

four-leaf-clover-3336774_960_720

Quantos de nós têm aquela vozinha de fundo que nos diz sempre qual é o melhor caminho e, muita das vezes a ignora? Quantos de nós verdadeiramente a ouve? E se não a ouve, porque será?

Não ouvimos a intuição por insegurança, por desconhecimento, por negação do que ela nos diz ou porque precisamos de confirmação de que o que ela nos diz é verdade. Normalmente obtemos essa confirmação através de outros, de amigos, terapeutas, tarólogos, videntes, o que seja.

A sugestão é parar para ouvir, deixar essa voz ficar mais forte, aprender a confiar nela, ouvi-la cada vez mais, observar, seguir por onde ela diz e podermos ser surpreendidos. Aqui não há muito a fazer… Na realidade é simples. Ela sempre aí esteve. É gentil, é amorosa, é suave. Diferente da mente, que é afirmativa, comanda, critica, analisa e decide, diz como fazer, controla.

A voz da intuição é como um rio que corre, sempre no mesmo sentido. No sentido do que é fluido. Vai sempre segura, independentemente de quais forem as nossas escolhas. É uma voz responsável, que simplesmente informa e respeita as nossas decisões. É uma voz sempre presente, omnipresente e vem directamente da nossa alma, esse repositório seguro e soberano de uma sabedoria mais vasta do que nós, a nossa mente e a nossa experiência mundana.

Sempre precisamos de certezas, de confirmações, de saber. A intuição é um saber sim, mas que nos desafia, que nos coloca em terreno novo, desconhecido. Tira-nos da zona de conforto, leva-nos por terrenos incertos, onde não vemos o desfecho. Quem gosta disso? Ninguém. Todos queremos saber de antemão, como se isso fosse possível. Então sim, fazemos escolhas “racionais” e seguras, que nos levam mais ou menos por onde esperamos e, normalmente, por onde teremos menos a perder e a arriscar.

Então pare, medite. Ouça e confie. Deixe os supostos “mestres” por um tempo. Sim, vai seguir por um caminho não cartografado, mas é por aí que teremos a oportunidade de vislumbrar os mais incríveis tesouros que a nossa alma tem guardado para nós.

Carta à MÃE

lavender-2430847_960_720

Este é um exercício individual e introspectivo, na forma de decretos pessoais, a internalizar e afirmar para si mesma, para honrar o passado e libertar-se de fardos que pertencem à mãe, e não a si:

Mãe, lamento por toda a tua dor
Pelo teu sofrimento, pelas tuas perdas.
Lamento por tudo o que passaste até me teres
E pelo momento do parto, da gravidez
E tudo o que veio a seguir.
Lamento por tudo o que não sei
Por todas as lágrimas, apertos e segredos que carregas no teu coração.
Lamento pelo que passaste
Ainda que não saiba, não preciso saber
É mesmo assim.
Há coisas que são tuas, há coisas que são minhas
Assim é a Lei.
Tu és a mãe, e eu sou a filha.
Tu és a grande e eu sou a pequena.
Tu vieste antes e eu vim depois.
Não posso carregar por ti as tuas dores
O peso que carregas
Sentir o teu sofrimento.
Não é para eu sentir nem carregar o que quer que seja que é teu
Cada um tem direito ao seu destino e aos seus fardos.
Qualquer que seja o teu, é só teu mãe
Eu tenho o meu
E assim está bom
Assim está certo.
Tu podes com o que é teu, eu posso com o que é meu.
Tudo o resto é grande demais
Pesado de mais.
Te agradeço por tudo o que fizeste por mim
Tomo e honro a vida que me deste
Faço com ela o melhor que sei
O melhor que posso.
Obrigada.

A força do feminino e da ancestralidade

girl-2436545_1920

A força do feminino é também aquela que vamos buscar ao nosso clã, às nossas ancestrais, ao que conhecemos ou não, nomeadamente ao que aconteceu no passado e como outras mulheres sentiram e passaram. Essa força por vezes é positiva, ajuda-nos e traz-nos sabedoria e a reconexão com formas inteligentes de ser mulher, como no caso da ligação aos ciclos lunares, às estações, às ervas e aos cristais, por exemplo.

Mas há outra força, a força da dor e do sofrimento, a força da traição, da rejeição, da perda e do abandono. Quando nos ligamos a essa ancestralidade, podemos não ter passado por isso mas sentimos as mesmas coisas, até as mesmas sensações, sentimentos e emoções. Podemos até tomar partidos, e crenças, de quem veio antes de nós.

O maior exemplo que vejo disto é nos relacionamentos. Vejo demasiadas mulheres envolvidas em processos inconscientes de mágoa e dor quando podem até nem ter passado por eles pessoalmente, mas tomam as dores da mãe, das tias, da avó, ou outro(s) elemento(s) da família alargada. Tomam as dores das amigas, de outras mulheres. Somos solidárias na dor, somos também leais, muito leais ao que acontece aos nossos, neste caso, às mulheres da nossa família, das  nossas vidas.

Este género de lealdade faz-nos separar-nos da realidade que vivemos e dos relacionamentos que são nossos para viver, e, por isso, podemos tornar-nos reaccionárias, revolucionárias, feministas, atacando até os nossos homens e responsabilizando-os por coisas que nem aconteceram nesta era, nesta vida, nem no relacionamento actual. Podemos tornar-nos ciumentas, acusatórias, inseguras, agressivas, porque aquele homem à nossa frente pode ser a encarnação de todo o mal que já foi feito a outras mulheres antes de nós.

Esta lealdade ao clã, ao feminino ancestral, ao inconsciente colectivo das mulheres, faz-nos tomar o partido das que sofreram, não nos permitindo sermos felizes nos nossos próprios relacionamentos, tendo comportamentos defensivos com os nossos homens, pedindo-lhes quase penitência e arrependimento, como expiação por todos os actos cometidos contra o feminino no passado, como se eles fossem os actuais culpados por tudo o que aconteceu.

São comportamentos e atitudes muitas vezes inconscientes, e provêm de um sistema de crenças que nos diz: “Os homens não são de confiança”, “Nunca se deve confiar completamente num homem”, “Nunca se pode gostar mais de um homem do que ele de nós”, “A mulher não se pode deixar enganar, deve estar sempre atenta e alerta com o seu homem e controlar tudo o que seja possível”, “A mulher nunca deve baixar a guarda”, e outros que tais.

Se a mãe sofreu abusos por parte do marido, não pôde ser feliz no casamento, perdeu o marido, foi traída, abandonada, deixada, etc., as filhas podem tomar as dores da mãe, querer ficar ao lado dela na dor e no sofrimento, e na infelicidade, como um pacto secreto e muito inconsciente: “Por não poderes ter sido feliz, mãe, eu fico contigo no sofrimento”, e perguntar-se porque os relacionamentos não parecem funcionar.

Este é apenas um exemplo. Todas nós mulheres, sem excepção, temos exemplos destes na família. Não teremos todas dificuldades nos relacionamentos, seja arranjar ou manter um relacionamento feliz ou harmonioso, mas vai haver sempre alguém da nossa família, uma mulher, que vai ter essa dificuldade e que vai representar uma trama que não é o dela e representar um tema das mulheres daquela família.

O exercício que se propõe aqui é perguntar-se: “O que me limita nos relacionamentos? Isso terá alguma coisa a ver com a situação das mulheres da minha família? Houve divisão, dor, traição, perda, abandono, incesto? Quem estou eu a representar? Que destino quero eu absolver?”, e tentar libertar-se de todas as crenças e padrões inconscientes de toda uma linhagem que sofreu muito, mas que não precisa continuar a sofrer.

Decretos para 2020

soap-801835_960_720

Que eu possa ouvir cada vez mais a minha intuição
Que eu possa perceber cada vez mais o que é meu e o que não é meu
Fazer cada vez mais e melhor essa distinção
Mais rapidamente e eficazmente
Entre emoções alheias e a minha própria energia
Entre energia alheia, de espaços e pessoas, e a minha própria energia
Que a possa manter intacta e protegida.
Que possa, cada vez mas facilmente e rapidamente, identificar e transmutar
Identificar e transmutar formas-pensamento, densidade, aperto, ansiedade, peso
Libertar do meu corpo mental, físico e emocional
Tudo o que é denso, pesado e tóxico.
Convocar cada vez mais ajuda angélica, energia elevada
Elevar a minha frequência mental, emocional e física
Alimentar-me cada vez com maior sabedoria e consciência
Ouvir o meu corpo, continuar a cuidar das minhas emoções
Permitir-me crescer e mudar o que está estagnado e precisa de evolução.
Que eu possa permitir mudanças, sair da zona de conforto sempre que necessário
Fazê-lo cada vez mais facilmente
Que eu possa continuar a ouvir o meu coração
Cuidar do meu corpo como ele cuida de mim
Estar agradecida por tudo o que tenho, por tudo o que conquistei, por tudo o que consegui
E por tudo o que ainda hei de conseguir nesta eterna jornada.
Que eu possa tocar outros no coração
Entendê-los e ouvi-los cada vez melhor
Afinando e aperfeiçoando o meu trabalho e a minha linha de comunicação.
Que eu possa pedir o que é meu, que eu possa receber o que é devido e o que é para mim
Que eu possa receber, que eu possa ter
Que eu possa permitir a abundância e o fluxo financeiro
Que eu possa permitir que o meu rendimento cresça, aumente
Para poder gerar mais conhecimento, mais competências, mais qualidade
Mais recursos materiais e financeiros que possam honrar o meu crescimento na terra.
Que eu possa sempre ser humilde, consciente
Fazer o melhor possível em cada momento
Que eu possa continuar a despir camadas, limar a personalidade
Ser submissa às vontades da Alma/Criador/Criação
Submeter-me ao propósito da minha alma e plano do eu superior.
Que eu possa perceber que nem tudo sei, nem tudo posso saber
Que devo confiar no tempo das coisas acontecerem
Se for para acontecerem.
Que eu possa ser sábia para além da minha idade
Conectar-me cada vez mais a mim, ao meu alinhamento e verticalidade
Conectar-me ao mais alto de mim, mente superior.
Que eu saiba permitir-me ser guiada por esse conhecimento e força maior
Que tudo sabe
Que eu não precise estar certa, apenas afinada e concordante com o que for para ser.
Que assim seja.

Parar e ficar naquilo que é

mental-health-2313428_1920

É difícil ficarmos parados, por vezes. Temos dificuldade em parar, como se ao acordarmos, reiniciamos a actividade e ela não pode parar. “Parar é morrer”, diz a mente. Não gostamos de sentir determinadas coisas, no fundo, todas as que nos ameaçam. Emoções menos positivas, como medo, ansiedade, insegurança estão lá quase sempre connosco, a sensação de falta de segurança é o que essas emoções nos fazem sentir.

Todos nós temos medo, e com o medo vem o evitamento. Não gostamos de sentir determinadas coisas, então evitamo-las. Para evitar essas sensações, não podemos estar parados – que é quando elas se manifestam – então movemo-nos, andamos e corremos para todo o lado. Até quando acordamos a meio da noite e não conseguimos voltar a dormir.  Até aí temos dificuldade em ficar naquilo que é, que é basicamente constatar o que se passa e não se envolver na enchurrada de pensamentos que vem daí.

Quem não consegue adormecer novamente a seguir a despertar passadas poucas horas de estar a dormir, normalmente deixa-se envolver na activação da mente. Depois de “reiniciada”, de facto funciona a toda a velocidade e com toda a intensidade de produção de pensamentos, preocupações, desejos e fantasias. É difícil controlar isso, uma vez que ninguém nos ensinou como fazê-lo, ou que sequer era possível fazê-lo.

Ficar naquilo que é requer persistência e paciência. Nós temos uma tendência a evitar tudo o que dá trabalho, e educar a nossa mente dá trabalho. Ficar naquilo que é é poder parar e simplesmente estar, simplesmente sentir o que há para sentir. O nosso corpo, seja ele físico ou emocional, tem sempre algo a dizer-nos. Fomos habituados e educados e sobrevalorizar o que se passa na mente. Simplesmente não conseguimos parar de a ouvir, ela é como uma fábrica de pensamentos que trabalha constantemente. Ao dormir, ao ao anestesiá-la com actividades, trabalho, socialização ou substâncias como o alcóol, podemos distraí-la. Basta estarmos sozinhos que o tormento começa.

Mas não precisamos estar no tormento. A mente é muito acusatória e crítica, mesmo contra nós. Educá-la e discipliná-la faz-se necessário, mas temos de sentar com ela, falar com ela com benevolência e gentileza, contudo, com segurança e firmeza. Ela é como uma criança por vezes, e como um idoso acomodado noutras. Precisamos tomar conta dessas partes, ouvi-las um momento, mas falarmos nós – a voz da consciência e do adulto sábio – quando for a altura, para que tudo o resto possa ficar apaziguado.

 

Os vários lutos que vivemos

heart-1318850_960_720

Não entramos em luto só quando morre alguém, podemos entrar em luto por nós também. Luto é uma reacção a um processo de perda, seja ele qual for. Por todos os fins de ciclo, por todos os “renascimentos” que fazemos, por todas as transformações que nos pedem mais, diferente. Por todos os momentos que temos de nos recriar, ir além dos nossos limites habituais de quem achamos ser, de quem pensamos ser. Principalmente em ideais, relacionamentos, projectos inacabados, relações inacabadas ou que têm de ficar para trás.

Esses lutos são difíceis. Ter de deixar ir partes nossas. Quem éramos numa determinada altura ou relação, o que sonhámos para essa altura ou relação, e quem perdemos nessa relação que chegou ao fim. Termina o sonho, termina o projecto, termina o ideal, e tudo o que acompanha isso: as expectativas, as ilusões, a projecção no futuro com essa pessoa, essa relação, esse projecto que não pôde ser. Somo uma pessoa com aquela pessoa, quando essa pessoa já não está, para onde vai quem fomos com ela? Há um luto da pessoa que fomos naquela relação, luto da relação que chegou ao fim e luto do que esperámos dessa relação ou projecto a dois.

Podemos fazer também diversos outros lutos, como o luto da criança que não queria ser mulher – que não queria crescer porque crescer é duro e difícil e traz muitas responsabilidades – luto da mulher que se tornou mãe e deixou de ser apenas mulher, passou a ser mãe também – e muitas cedências e mudanças têm de ser feitas a partir daí – e o luto das pessoas que perdemos e que não podemos ver mais porque simplesmente não existem mais no plano físico. Ainda que acredite no plano espiritual, não pode mais tocar e conviver com essa pessoa que perdeu, e a nossa mente existe aqui, no aqui e no agora, no plano material.

Como vê, são vários os lutos que vivemos ao longo da vida. Sempre perdemos algo, alguém, partes nossas que se transformam, a própria perspectiva muda, o crescimento, o amadurecimento, a evolução pede-nos isso mesmo: morte e renovação. Morte e renascimento. Não podemos ser eternamente os mesmos, ter as mesmas coisas da mesma maneira sempre. Mesmo em um relacionamento que se mantém, várias partes partes nossas também vão dando lugar a outras para que esse relacionamento possa crescer, e evoluir. Também um relacionamento é uma coisa viva, que se transforma.

Há que ser paciente com estes processos. Normalmente o luto envolve algumas fases: o choque, a negação, a barganha ou negociação (quando tentamos negociar para que tudo se mantenha igual para não termos a sensação de perda de algo – porque a mudança nos deixa extremamente desconfortáveis), a raiva ou revolta, a ansiedade, a tristeza, e, por fim, a aceitação, se o pudermos e conseguirmos fazer – a aceitação de todas as fases anteriores e a aceitação daquilo que tem de ser e é possível no momento. Requer de nós toda a nossa força e toda a nossa humildade.

A perda, e o luto, tornam-se mais fáceis quando podemos renunciar ao que o nosso ego ou personalidade desesperadamente querem: a manutenção de tudo o que conhecemos, como conhecemos. Quando podemos curvar-nos aos desígnios da alma, do grande desconhecido, aceitamos o que vem, e o que parte, sem resistência, a vida flui e teremos exactamente o que precisamos e o que é bom para nós, independentemente do quê e de quem fica.

Porque nos mantemos em relações que não nos fazem bem?

pair-3361949_960_720

Questões de autoestima, culpa e merecimento podem estar na origem. Quem tem pouca autoestima, pode manter-se em relações que não são boas porque também acha, mesmo que a um nível inconsciente, que não merece melhor, que não é possível ter melhor, que ninguém irá gostar de si e que o melhor é ficar como está. Poderá também achar que as relações são todas assim, seja por experiência prévia com outros relacionamentos, ou porque o que vê, observa ou ouve falar na família, amigos ou colegas é algo do género.

O merecimento é outro tema recorrente. Seja porque se fez coisas “más” no passado, ou coisas de que se envergonha, pode sentir que não merece uma relação boa e feliz, como que se tivesse de se castigar mantendo-se em algo menos bom. Aqui entram em jogo factores psicológicos relacionados com o dar e receber, no sentido em que se fiz algo de menos bom, devo receber um castigo ou uma punição por isso. Normalmente isto acontece porque teve uma fase em que se envolveu sexualmente com vários parceiros, por exemplo, ou uma fase em que usou ou abusou de drogas, não tendo controlo sobre os seus comportamentos e julgando-se por isso.

O merecimento também pode ter a ver com a auto imagem corporal, sim, porque uma coisa é a sua imagem corporal, outra coisa é a auto imagem, ou a imagem que faz de si e do seu corpo. Podem ser completamente distintas uma da outra, o corpo e a percepção que faz desse mesmo corpo. Estas duas estão relacionadas, autoestima e merecimento. “Como não sou bonita ou como não tenho um corpo escultural, não posso ser feliz num relacionamento. Ninguém vai gostar de mim”. É fácil perceber aqui que estas mulheres, ou homens com pensamentos semelhantes, se julguem insuficientes para um relacionamento feliz. Aqui poderá ser mais fácil aceitar determinados abusos.

A culpa é um tema complexo por vezes difícil de destrinçar. Da pena nasce a culpa. Pena de deixar um ou uma companheira, principalmente se houver filhos ou o companheiro não quiser a separação. Quantas mulheres atendo que se sentem culpadas por deixar o companheiro, como se esse homem fosse inválido sem elas (sem uma mulher). Mesmo que eles o possam fazer parecer, estamos a falar de adultos. Ninguém morre por ser deixado, só bebés ou idosos doentes que sejam indefesos. Há pessoas que instigam a culpa no companheiro ou companheira, com queixumes ou ameaças, ou chorando e pedido por favor para que a outra pessoa não se afaste.

Os seus limites são os seus limites. Não quer, não gosta, não tem de ficar numa relação só porque a outra pessoa ficará desconfortável, descontente ou triste se resolver terminar essa relação. A sua responsabilidade não e cuidar desse adulto. Cada um só pode ser responsável por si e por quem decidir ser responsável. Até pode querer manter-se numa relação para poder cuidar da outra pessoa, se for essa a sua vontade. O que faz consigo, com o seu tempo e com a sua vontade, só a si lhe diz respeito.

A culpa também pode ser induzida devido ao medo da exclusão social, da crítica de amigos e familiares, do estigma social relacionado à separação. “O que vão dizer de mim se deixar a minha mulher com crianças pequenas…”, “O que irão dizer os meus filhos mais tarde, que os deixei, que os abandonei a eles e à mãe…”. O medo da desaprovação social rege muitos dos nossos comportamentos, por vezes. E na culpa as pessoas se podem ir mantendo em relações infelizes.

As boas notícias são que, a qualquer momento, pode trabalhar esses temas e essas dificuldades. Muitas das vezes, partem apenas de crenças obsoletas ou inconscientes que podem ser vistas e reconfiguradas. Não há crença nem emoção que não possa ser revista. Tudo o que o ou a limita tem como deixar de limitar. Ainda que a medo, e até com algum sentimento de culpa, pode sempre tomar as decisões que são importantes para si. O resto, o tempo, e alguma terapia se for preciso, cuida e trata de suavizar.