O transe na hipnose – o que é e como funciona?

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O “transe” que acontece nas consultas em que são utilizados exercícios de hipnose, não é como se vê nos programas de televisão em que são utilizados truques de hipnotismo de palco, ou como nos filmes em que se vê o terapeuta de pêndulo na mão a adormecer o paciente. Técnicas semelhantes podem ser utilizadas em consulta para induzir ao “transe”, que, no fundo, nada mais é do que um estado de relaxamento ou de realidade interior aumentada, onde acontece uma expansão da consciência.

Como tal, e para resumir, o transe que acontece naturalmente, ou que é esperado numa consulta de hipnoterapia, é um estado de relaxamento, que pode ser maior ou menor, consoante a pessoa e o estado em que ela se encontra. A hipnoterapia moderna, ou naturalista (Eriksoniana), é feita num estado de relaxamento suave, ou ligeiro, que pode até ser moderado ou profundo consoante o estado em que o paciente se encontra, de maior ou menor resistência ao relaxamento.

O facto de a pessoa relaxar mais ou menos não invalida o sucesso da terapia. Ou seja, normalmente as pessoas que procuram este método, esperam que ele seja mais eficaz quanto maior o estado de relaxamento que conseguirem alcançar. Isso não é verdade, a terapia funciona sempre, basta a pessoa ir seguindo as instruções do terapeuta, que vai lançando sugestões visuais (de imaginação), simbólicas ou relativas a memórias.

O que é que isto quer dizer? Que a hipnose é um método de visualização e rememoração. São utilizadas sugestões de visualização, simbolização e recordação. É como uma meditação guiada, mas interactiva, em que se vai construindo o exercício com a pessoa. São dadas sugestões e vai-se questionando a pessoa acerca do que está a visualizar, a pensar, a sentir ou recordar-se. No fundo, é um exercício de conversação de olhos fechados, em que se vão propondo cenários ao paciente e ele os vai relatando.

Através destes cenários, vamos explorando o mundo emocional e mental da pessoa, que está sempre consciente do que está a acontecer, do que está a sentir e do que está a dizer. De facto, a pessoa está mais consciente que nunca. O simples facto de fechar os olhos e falar do que está a ver e a sentir, proporciona uma realidade aumentada em termos de consciência. Torna-se tudo mais claro e mais evidente. E é esta a “ciência” por detrás dos exercícios realizados.

Dá para toda a gente, de crianças a idosos, basta imaginar. Todos temos a capacidade de imaginar, de recordar e de sentir. E isso basta. Não precisa de preparação prévia, só precisa de ir disponível para experimentar, permitir-se fechar os olhos e seguir as sugestões dadas, que vão mudando consoante o que for surgindo na sua mente, e ir comunicando com o terapeuta o que vai sentindo. E assim se explora o seu interior, de uma forma orientada, consciente e terapêutica.

Técnicas utilizadas na consulta de hipnoterapia

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Para além de uma conversa inicial, em que se explora o problema, as situações ou as questões a serem trabalhadas, são realizados diversos exercícios utilizando-se a hipnose, de forma a corrigir, melhorar, explorar, descobrir, compreender, aceitar ou perdoar as situações que nos moldaram, nos limitaram ou condicionaram de determinada maneira. Trabalhamos quatro momentos em cada exercício relacionado com o passado:

  1. identificar o problema, localizando-o no tempo (regressão – ir à “ferida”)
  2. compreender o que causou o problema (ou a ferida), trazendo consciência e entendimento
  3. trabalhar sob a situação passada à luz de uma nova consciência, do entendimento e conhecimentos actuais (ressignificação)
  4. resgatar a lição ou aprendizagem (perdão, cura, libertação, compreensão, …)

Para além destas técnicas e manobras no nosso subconsciente, relacionadas com o passado, traumas, situações de perda, condicionamento e criação de esquemas mentais e crenças diversas sobre nós, os outros, o mundo e o futuro, fazemos também o seguinte:

Trabalho com as partes (a parte solução e a parte problema), em que se levantam os conflitos e dualidades interiores e uma dessas partes representa o nosso lado consciente do problema, e que não o quer manter mais, e o outro aquela parte que representa o problema em si, e que, obviamente não quer desaparecer (resistência à mudança/medo de mudar). O objectivo é harmonizar os dois.

Simbolização de emoções (medo, ansiedade, raiva ou agressividade, impulsividade, insegurança, etc.), de forma a podermos olhar para elas de frente e podermos “comunicar” com essas emoções, compreendendo, escutando, redimensionando e ajustando uma por uma. O objectivo é fazer as “pazes” com o nosso mundo emocional.

Como vêem, não é uma coisa complicada… É só deixar fluir, que toda a informação vem naturalmente, perante as sugestões dadas ao longo dos exercícios, que não são mais que exercícios de visualização e contacto com as suas sensações, emoções, pensamentos e sentimentos. Eles estão todos aí dentro, prontos para serem arrumados. É só encontrar o caminho até eles.

 

Os sonhos que não vivemos

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Onde se guardam? Onde existem? Onde ficam? As coisas que sonhámos, que idealizámos, que desejámos? As pessoas que acarinhámos e que viveram entre nós, connosco, que não existem mais? Onde guardar tanta coisa que fica para trás e não existe mais?

Dentro de nós há um espaço infinito onde cabem infinitas coisas. Onde cabemos nós, espremidos ao canto de caixas e caixas de memórias, sacos e sacos de mágoas e desilusões, caixotes e caixotes de recordações de momentos tristes, felizes, assim assim, e tudo o que lá couber dentro.

Dentro de nós também existem espaços vazios, terreiros mórbidos, lacunas, terrenos baldios, terras de ninguém. Terras para onde ostracisamos todos os fantasmas, tudo o que não queremos ver nem sentir. O que é certo é que todas essas figuras diminutas, minguantes, franzinas, continuam a existir, lado a lado com os sonhos que enxotamos para um canto da nossa existência e da nossa memória.

Os sonhos, tal animais abandonados, criam lugares onde habitar, onde continuar a existir, à espera de um dia serem descobertos, ou “desenterrados”. Cobrem-nos as areias do tempo, areias feitas de esquecimento, de “não posso”, “não consigo”, “não é certo”, “não pode ser”, “os outros não querem”, “os outros não deixam”. E vamos soterrando aquele sonho de ser bailarina, veterinário ou bombeiro, abrir aquela loja de fruta no centro da cidade, ou a loja de bijutaria feita por si. O sonho de ser pintor, escultor, carpinteiro. O sonho de ser pianista, astronauta. O sonho de escrever, ser artista de circo.

De quantos sonhos se compõe o mundo? De quantos sonhos perdidos o mundo sente a falta? Os sonhos são os dons ou os talentos que não reconhecemos nem usámos. Podemos até nunca os realizar ou concretizar, mas eles estão lá… Continuam a existir. O que queria ser quando era criança e os adultos lhe disseram que não podia ser? Que era melhor ser doutor ou doutora? Que era melhor estudar, formar-se nalguma coisa, trabalhar e depois logo vivia os sonhos, se restasse tempo?

Levamos a vida, tal Benjamin Button, a viver a vida ao contrário. Primeiro ocupamo-nos muito para sermos alguém nesta vida e neste mundo. Depois trabalhamos muito para poder ser pessoa, para poder ser essa pessoa a viver no mundo, junto dos demais, e, anos depois, apercebemo-nos que devemos dias e horas ao que gostamos de fazer. Devemos anos de vida à nossa paixão, ao que é natural em nós. Para quê? Para quem? Porquê?

Questione-se agora: estou a fazer o que gosto? O que faço apaixona-me? O que faço serve a um bem maior? Enriquece-me? Enriquece o mundo?

Tantas podem ser as questões. Faça-se a si as certas, as que o seu coração teima em martelar na sua cabeça quando está distraído. Permita-se sentir a sua vocação, a sua paixão. Os seus talentos estão debaixo da sua pele, nas suas células, no seu cérebro, naquilo que faz palpitar o seu coração. É aí que está a missão, é aí que está o propósito.

O propósito é, nada mais nada menos, do que ser feliz: com quem está, como está, a fazer o que faz. Alinhe esta verdade ao que faz neste mundo. A missão é evoluir. E só evoluímos se estamos felizes e a fazer o que é suposto estarmos a fazer. Os sonhos (o instinto, a intuição) existem para o guiar. Eles iluminam o caminho, só temos de seguir.

O tempo

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O tempo que nos escorre pelas mãos, que não conseguimos recuperar, controlar. Tantos os afazeres, tantas as solicitações, as tarefas, as responsabilidades e deveres e o tempo sempre estanque, rigoroso, não se importando se conseguimos ou não. Tirano, dá-nos aquelas míseras 24h, distribuídas igualitariamente. Não podemos comprar, negociar, não podemos pedinchar ou mendigar.

Tão injusto… O tempo que nos rouba, que nos tira segundos de vida, momentos que não voltam atrás, pessoas que não recuperamos mais, situações que não podemos salvar, pessoas, vidas que se perdem em instantes, e não podemos voltar atrás, nunca… A memória como a única coisa falha que podemos usar nesses momentos, para relembrar, para recordar, evocar o que foi.

Mas não volta atrás. Não há mais tempo do que o tempo que temos. Não podemos voltar atrás, parar, pausar, recuperar, acelerar ou abrandar. Podemos sim viver, integralmente, com o que nos é dado, fazendo a gestão dele o mais conscientemente possível. Na verdade não existe tempo… Existe uma medição da existência, em horas, segundos e minutos, que, todos juntos, se convertem em meses, dias e anos.

O Tempo é, existe, é um contínuo, é o Infinito em si. O Universo é o próprio Tempo, é matéria imaterial. O tempo é espaço, é energia, existe e existirá sempre, sempre existiu talvez. O tempo é história, é mistério, é água, é terra, fogo e ar. O tempo é Tudo, tudo o que vemos, tudo o que temos, tudo o que sempre existiu.

O tempo não é nosso, não nos pertence. Só nos podemos dar a nós. Só podemos fazer o que somos capazes, só podemos ser o que somos a cada momento. Não existe mais Nada para além disso. O Presente. O que somos a cada instante, o que pensamos e decidimos a cada momento, o que fazemos a cada momento. Dá para perceber?

Seja, viva. O tempo não vai esperar nem volta atrás. Sinta. O tempo urge.

O orgulho e a rendição

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O que é que o orgulho impede?

Impede o perdão

Impede a aceitação

Impede o amor

Impede a doçura

Impede a vulnerabilidade

O orgulho é como uma capa vil e dura que colocamos perante as emoções e sentimentos. Impede-nos de sermos, sentirmos e permitirmos a vida a fluir em nós. Por detrás do orgulho está a delicadeza, a gentileza, a sensibilidade e a vulnerabilidade. O orgulho, o ego, a personalidade, a mente, são tudo partes de um mesmo esquema: o nosso mecanismo de defesa, o que existe entre nós e os outros. Por medo de sermos feridos, rejeitados, abandonados, enganados, considerados como fracos ou  ridículos, erguemos uma couraça de resistência aos sentimentos e emoções.

Sentimentos e emoções perante os outros, sejam família, sejam companheiros românticos, sejam conhecidos, colegas de trabalho ou até amigos. Quando alguém nos fere de alguma forma, aprendemos a fechar o coração e aprendemos a defender-nos, fechando-nos e filtrando as emoções, não nos permitindo sentir demasiado. O ressentimento, a raiva, a revolta, a indiferença e o desprezo são primos afastados do orgulho. Antes esses sentimentos do que tristeza, angústia ou mágoa. Mas debaixo de todos eles, estão exactamente esses sentimentos.

O orgulho é uma figura, uma personagem, de semblante duro, impenetrável, irredutível, inflexível e altamente castradora. No fundo, o orgulho é o nosso soldado. “Orgulho ferido” é uma expressão muito usada para representar isso mesmo: um ataque à nossa dignidade e vulnerabilidade. Se pode ser ferido é porque existe. Temos em nós o orgulho, temos em nós essa qualidade, atributo ou característica. Ele existe em nós como muralha, como defesa desse outro aspecto nosso mais frágil, que é o nosso sentimento, a nossa necessidade de aprovação, de pertença, aceitação e segurança.

A rendição surge como algo novo, e acho que estamos todos a tentar aprender o que é isto. Rendermo-nos ao que não podemos mudar, rendermo-nos ao medo de sofrer, ao não pertencer ou não ser aceites. Sendo quem somos, sentindo o que temos a sentir, sem necessidade de protecção. Vamos mesmo assim, vivemos mesmo assim, independentemente das consequências. O não saber, o não poder controlar, o permitir sentir, o permitir viver, sem máscaras, sem ilusões, mas também sem arrogância, sem fachada nem defesas.

A linguagem universal

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Quando falamos da mente, falamos de um lugar de raciocínio, crítica, julgamento, orgulho, vingança, resolução de problemas e enumeração de dissabores. Quando somos mentais, somos frios, distantes, somos pre-conceito, somos passado, explanação e explicação de porquês. Somos também “adivinhação”, somos pré-determinação, traçamos cenários possíveis e imaginários para o futuro, sem razão de ser. Ou melhor, com a razão de querer perceber, ditar e comandar o que vai acontecer, ainda assim não nos escape algo.

Quando falamos do coração, da emoção, somos tempestade, somos momento, somos sentimento, sentido ferido ou não. Somos também acolhimento, afecto, alegria, impulsividade e espontaneidade. Somos brincadeira, somos amuo, somos leveza ou profundidade. A calma encontra-se, ou pode encontrar-se, tanto na mente como no coração. Há coisas que a mente faz que o coração não pode fazer, e vice versa. Eles são almas gémeas, complementares. Não vivemos sem razão tal como não vivemos sem emoção. Não vivemos sem mente nem sem coração.

O que é certo é que, a maior parte das vezes, somos até mais mente do que emoção, e isso pode ser um problema. Tudo o que recalcamos, tudo o que não nos permitimos sentir, de bom ou de mau, se pode instalar no nosso corpo, nos nossos órgãos e sistemas. Como tal, a mente pode, sim, fazer adoecer o corpo, quando a mente se torna ditadora e toda a alegria e espontaneidade se vão embora, ou ficam aprisionadas. O coração, por outro lado, liberta, diz, manifesta-se. Mas também, se formos só emoção, a mente afoga-se e não pode ser prática e resolver problemas nem concentrar-se nas soluções ou caminhos.

Há que haver um equilíbrio entre estes dois sistemas. Mas o que quero falar aqui hoje é da comunicação. Há aquela que é feita puramente da mente, como algumas conversas que temos, palestras ou cursos que façamos, quando alguém fala do que é relativo a conhecimento, factos e teoria. Há a comunicação directa da emoção, quando estamos alterados, irritados, tristes, angustiados e nos queixamos, reclamamos ou nos chateamos a sério com alguém. Pode também haver uma comunicação integrada, em que as duas partes estão presentes, e essa é a linguagem mais assertiva que podemos ter. Expressamos o que pensamos, mas também o que sentimos, de forma calma, lógica e coerente.

A linguagem do coração, porém, é uma linguagem curativa. Tem a capacidade de apaziguar, perdoar, chegar ao outro, compreendê-lo e devolver o que corresponde a cada qual. Só o coração pode transformar o que foi feito, dito ou acontecido. Na terapia podemos falar, explorar, perceber, analisar, compreender e encaixar informação. O verdadeiro trabalho começa quando se fecham os olhos e entramos no reino da emoção e no reino das memórias e do passado. É lá que está o que o coração pode tratar, trazendo à mente e ensinando a curar, aceitar, integrar e transcender. Uma coisa é perceber, outra coisa é sentir.

A linguagem universal todos conhecem, é a linguagem do coração, da emoção pura. Quando nos compadecemos com a morte da princesa Diana, quando sentimos pelos foragidos das guerras de poder entre impérios, quando vemos animais maltratados, quando olhamos para algo que nos emociona. Essa linguagem não tem palavras, é composta de sentimentos e sensações. É algo que vai directo ao coração.

Quando tocamos no outro através do coração, magia pode acontecer. Essa linguagem todos conhecem, não precisa palavras, basta um olhar, uma compreensão. Sentir o outro e compreendê-lo, aceitá-lo como é. E isso, só o coração pode fazer (porque a mente pode arranjar mil motivos e explicações que atrapalham todo o processo).

Na hipnose, ou nos exercícios realizados com a hipnose, a linguagem do coração guia, acompanhada pela mente, sempre presente e observadora – e muitas vezes temos de a driblar ou pedir-lhe licença para se poder processar um determinado assunto mais doloroso – e quando ela aceita, o coração pode fazer o seu trabalho. Só através do coração podemos fazer as pazes com tudo o que foi, aceitar os outros como são, aceitar tudo o que é, como é, sem resistências. Estando presentes nesse alinhamento mente-coração.

O receber, a abundância e o merecimento

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Nutrição, receber, ser nutrido, merecer nutrição. Tudo relacionado com a mãe: a mãe que dá a vida, a mãe que dá alimento, a mãe que providencia a vida, a sobrevivência e a segurança; a mãe que nutre. Nutrição é tudo isso. Nutrição é a função da mãe: dar, alimentar, acolher, acarinhar, trazer conforto e segurança, trazer calor. Quando isso é negado ao bebé, ou há um “corte” nessa nutrição, uma rejeição, um abandono, um não amamentar, não cuidar, não dar atenção (muitas vezes por falta de tempo), fica uma sensação de não merecimento.

Não poder receber = não merecer receber, é a mensagem escutada no inconsciente da criança. Na vida adulta esta criança pode vir a debater-se com questões de falta de abundância ou prosperidade, não vingar na vida, não achar que merece amor ou felicidade, não conseguir ter estabilidade financeira ou relacional, ou pode ter falta de autoestima. Muitas podem ser as consequências do amor negado à criança. E atenção, o amor negado pode ser meramente imaginado: por falta de tempo, por uma educação mais funcional e menos afectiva, por uma mãe mais prática e menos emocional, uma mãe ocupada profissionalmente ou com outros filhos, pode originar a noção ou sensação de abandono ou rejeição.

Como tal, a criança não se sentiu devidamente nutrida (atenção, carinho, reconhecimento). Falemos do reconhecimento. A criança precisa de muita validação. Precisa sentir, em todos os momentos, apreciação, aceitação e acolhimento. Muitas vezes, os pais, ocupados, não dão a devida atenção a alguns momentos e necessidades das crianças. A mente infantil, voltada apenas para si própria, não pode compreender estes fenómenos complexos das necessidades e dificuldades de um adulto, nem sempre competente na leitura das necessidades emocionais da criança. Como tal, vão-se formando “mal entendidos” na mente da criança.

A mente da criança faz associações directas: “Dá-me atenção, gosta de mim. Alimenta-me, gosta de mim. Brinca comigo, gosta de mim”, e por aí afora. Quando isto não acontece, há uma imediata sensação de rejeição por parte do ego infantil, e isso pode vir a manter-se pela idade adulta. Mas e o que fazer a respeito? Tomar muita consciência destes factores. Que relação teve com a sua mãe, ou com as figuras cuidadoras. Pai, avô, avó, tio, tia… Todos são representações de carinho e afecto. Quando não correspondem às expectativas da criança, esta pode ficar ferida, ressentida.

Na terapia abordamos estas questões, averiguamos, exploramos os padrões educacionais, a gravidez da mãe, o parto, a amamentação, o lidar da mãe com a criança, com as suas necessidades mais básicas de afecto e nutrição. Ao observarmos esses aspectos, podemos perceber de onde vêm muitos dos sentimentos ou crenças de desvalorização de si, da incapacidade de concretizar objectivos, de autosabotagem, etc. É um caminho esse, o da autodescoberta e apreciação destes padrões. Depois disso, é fazer um trabalho de resgate, perdão, contemplação e aceitação da mãe como é, como foi, com o que foi capaz de ser, de estar e de dar.